O número de casas novas colocadas à venda em Portugal mais do que duplicou nos últimos cinco anos, um sinal claro de que o setor da construção está a responder à crise de habitação. No entanto, a forte procura — impulsionada por taxas de juro ainda elevadas e pela escassez acumulada — continua a absorver rapidamente esta nova oferta, mantendo os preços sob pressão.
Oferta cresce, mas não chega
Segundo os dados mais recentes do idealista, o stock de casas novas disponíveis no mercado nacional mais do que duplicou desde 2021. Este crescimento reflete o aumento da construção nova, impulsionada por medidas como a redução do IVA na construção e o programa de apoio ao arrendamento acessível.
Apesar deste aumento expressivo, a procura mantém-se robusta. O crédito habitação continua a crescer a dois dígitos — em maio, o stock de crédito atingiu 115,7 mil milhões de euros, a maior subida homóloga desde 2003 — e os portugueses continuam a competir por um número limitado de imóveis.
Preços continuam a subir
O valor mediano de avaliação bancária das casas fixou um novo recorde acima dos 2.200 euros por metro quadrado. E com a Euribor a 12 meses a rondar os 2,83% (valor de 10 de julho de 2026), a pressão sobre o orçamento familiar mantém-se.
A boa notícia é que a oferta está a crescer. A má notícia é que ainda está longe de satisfazer a procura — os promotores imobiliários estimam que Portugal precise de 70 mil novas casas por ano, um número que a construção atual ainda não atinge.
O que esperar nos próximos meses?
Com as novas regras macroprudenciais do Banco de Portugal a entrarem em vigor a 1 de agosto (redução da taxa de esforço de 50% para 45%), o acesso ao crédito pode tornar-se ligeiramente mais restritivo para alguns perfis. No entanto, quem tiver capacidade financeira encontrará um mercado com mais opções de casas novas do que há cinco anos.
Para quem está a pensar comprar casa, este é um bom momento para comparar propostas de crédito habitação e garantir as melhores condições antes que as novas regras do BdP entrem em vigor.
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Fontes: idealista/news, Banco de Portugal