O sistema de alertas da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) permitiu recuperar cerca de 446 milhões de euros em impostos no ano passado, revela o Relatório de Combate à Fraude e Evasão Fiscais e Aduaneiras referente a 2025, entregue pelo Ministério das Finanças ao Parlamento.
Rendimentos no estrangeiro lideram recuperação
A “fatia de leão” do montante recuperado está associada a rendimentos obtidos no estrangeiro, com os alertas da AT a incidirem sobretudo sobre o IRS. O sistema cruza automaticamente informações de diversas fontes — contas bancárias, transações imobiliárias, rendimentos de trabalho e capitais — e emite notificações quando deteta divergências que possam indicar omissão de rendimentos.
Este valor representa uma quebra de 8% face a 2024, o que pode indicar tanto uma melhoria no cumprimento voluntário como uma redução na capacidade de deteção de novas situações de incumprimento.
Como funciona o sistema de alertas?
A AT tem vindo a modernizar os seus sistemas de cruzamento de dados, utilizando cada vez mais inteligência artificial e análise preditiva para identificar situações de risco. Os alertas são enviados aos contribuintes antes de qualquer ação coerciva, dando oportunidade para regularizarem voluntariamente a sua situação fiscal.
Este modelo de “cumprimento voluntário assistido” tem-se revelado mais eficaz — e menos dispendioso — do que os processos tradicionais de inspeção e cobrança coerciva.
O que significa para os contribuintes?
Para a maioria dos contribuintes portugueses, estas notícias reforçam uma mensagem clara: a AT está cada vez mais eficaz a detetar omissões e divergências fiscais. Rendimentos no estrangeiro, rendas não declaradas, mais-valias de investimentos — tudo está sob um escrutínio cada vez mais rigoroso.
Se tem crédito habitação e rendimentos que possam não estar perfeitamente declarados, este é um bom momento para rever a sua situação fiscal. Uma declaração correta é também essencial na hora de pedir um crédito — os bancos cruzam a informação fiscal com a documentação apresentada.
Fonte: ECO
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