Apesar do regresso da guerra ao Médio Oriente e da pressão inflacionista que os preços do petróleo — em torno dos 85 dólares por barril — continuam a exercer, a JPMorgan Asset Management não antecipa subidas das taxas de juro nem pela Reserva Federal norte-americana (Fed) nem pelo Banco Central Europeu (BCE).
A convicção foi apresentada por Lucía Gutiérrez-Mellado, diretora de estratégia para Espanha e Portugal da gestora de ativos do JPMorgan, na apresentação das perspetivas para os mercados no terceiro trimestre. A responsável mantém-se “construtiva” para o mercado acionista e acredita que as yields da dívida soberana europeia já compensam uma maior exposição.
Mercado aposta em subidas, JPMorgan discorda
A visão do JPMorgan contrasta com a expectativa dos mercados financeiros, que atualmente antecipam dois movimentos de subida:
- Uma subida das taxas diretoras pela Fed em outubro
- Uma subida das taxas diretoras pelo BCE em setembro, com probabilidades mais elevadas para esta última
Esta divergência de opiniões reflete a incerteza que domina o atual ciclo de política monetária. Por um lado, a inflação na Zona Euro tem dado sinais de moderação — em Portugal desacelerou para 3,2% em junho, o valor mais baixo desde o início do ano. Por outro, os preços da energia, as perturbações nas cadeias de abastecimento e as tensões geopolíticas continuam a representar riscos em alta para os preços.
O que significam taxas inalteradas para o crédito habitação?
Se o cenário do JPMorgan se confirmar — taxas de juro inalteradas na Europa — as famílias portuguesas com crédito habitação podem respirar de alívio. Eis o impacto direto:
- Euribor estável: as taxas Euribor, que servem de indexante à maioria dos créditos habitação em Portugal, tenderiam a estabilizar nos níveis atuais (Euribor a 12 meses em 2,825%, a 6 meses em 2,654% e a 3 meses em 2,452%, segundo os dados mais recentes de 14 de julho)
- Prestações sem agravamento: os agregados familiares com contratos indexados à Euribor a 12 meses (os mais comuns) não sofreriam aumentos adicionais nas próximas revisões
- Previsibilidade orçamental: as famílias ganhariam maior capacidade de planeamento financeiro para o resto de 2026
No entanto, se a visão do mercado se concretizar e o BCE subir as taxas em setembro, as prestações da casa poderão voltar a subir no último trimestre do ano.
Oportunidade para reavaliar o crédito
Independentemente do cenário que vier a concretizar-se, o momento atual — com a Euribor a 12 meses ainda acima de 2,8% — continua a ser favorável para renegociar o crédito habitação ou considerar a transferência para outro banco com melhores condições de spread.
A diferença entre um spread de 1,2% e um spread de 0,8% pode representar uma poupança de dezenas de euros por mês — e de milhares de euros ao longo da vida do contrato.
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