O Mundial 2026 está quase aí. De 11 de junho a 19 de julho, os olhos do planeta viram-se para os Estados Unidos, México e Canadá — e Portugal lá estará, com uma seleção de topo e ambições legítimas de levantar o troféu em solo americano.
É natural que milhares de portugueses sonhem em fazer as malas e atravessar o Atlântico para apoiar a Seleção ao vivo. Mas entre bilhetes de avião, alojamento, bilhetes para os jogos e despesas diárias, a realidade financeira pode ser bem diferente do sonho.
A pergunta que muitos fazem é: vale a pena pedir um crédito para realizar esta viagem?
Quanto custa realmente ver Portugal no Mundial 2026?
Vamos às contas — com valores realistas para uma viagem de 10 dias a acompanhar a fase de grupos:
| Despesa | Custo estimado (por pessoa) |
|---|---|
| Voo ida e volta Lisboa → Nova Iorque / Miami | 600€ – 1.200€ |
| Bilhetes para 2–3 jogos da fase de grupos | 250€ – 600€ |
| Alojamento (10 noites em cidade-sede) | 800€ – 2.000€ |
| Alimentação e transportes locais | 400€ – 700€ |
| Seguro de viagem, visto ESTA e extras | 100€ – 200€ |
| Total estimado | 2.150€ – 4.700€ |
Se Portugal avançar para os oitavos, quartos ou além, estes valores sobem consideravelmente. E se viajar em família, multiplique por dois, três ou quatro.
O custo real de um crédito pessoal para a viagem
Imagine que decide pedir um crédito pessoal de 3.500€ para cobrir a viagem. Com uma TAEG média de 8% e um prazo de 24 meses, as contas são estas:
| Elemento | Valor |
|---|---|
| Montante financiado | 3.500€ |
| Prazo | 24 meses |
| TAEG (taxa anual efetiva global) | ~8% |
| Prestação mensal | ~158€ |
| Custo total do crédito | ~3.800€ |
| Juros pagos | ~300€ |
Parece pouco? 158€ por mês pode não soar a muito. Mas lembre-se: daqui a dois anos, o Mundial já acabou, as memórias estão nas fotografias — e ainda está a pagar a viagem.
E se a sua situação financeira mudar entretanto? Um imprevisto, uma despesa de saúde, uma revisão da prestação da casa — e aquele “pequeno crédito” passa a ser mais uma pressão no orçamento familiar.
Quando é que um crédito para viajar pode fazer sentido?
Não estamos a dizer que é sempre um erro. Há situações em que pode ser uma decisão financeiramente consciente:
- ✅ Já tem o dinheiro poupado, mas prefere manter a liquidez e pagar em prestações com juros baixos
- ✅ TAEG reduzida — se conseguir um crédito com TAEG abaixo de 5% (raro, mas possível com campanhas)
- ✅ Prazo curto — pagar em 6 a 12 meses, não em 2 ou 3 anos
- ✅ Orçamento folgado — a prestação não compromete as suas despesas essenciais
E se Portugal chegar longe?
Quem for aos Estados Unidos com bilhetes apenas para a fase de grupos e Portugal passar aos oitavos, quartos ou meias-finais, vai enfrentar um dilema: comprar mais bilhetes (muitas vezes a preços inflacionados no mercado secundário), prolongar a estadia, alterar voos. Tudo isto dispara o orçamento inicial.
Uma viagem que começou por custar 3.000€ pode facilmente transformar-se numa despesa de 6.000€ ou mais.
Alternativas mais inteligentes
Antes de se endividar para ver futebol, considere estas opções:
- Poupe com antecedência: o Mundial acontece de 4 em 4 anos. Daqui a 4 anos, em 2030, o Mundial será em Portugal e Espanha. Comece já a juntar.
- Zone de visualização em Portugal: o ambiente nas fan zones, cafés e praças portuguesas durante os jogos da Seleção é incrível. Custa zero.
- Viaje para o México em vez dos EUA: os custos de alojamento e alimentação são significativamente mais baixos em cidades como Guadalajara ou Monterrey.
- Viaje com amigos e partilhem custos: alojamento e transporte divididos por 3 ou 4 pessoas reduzem drasticamente o custo por pessoa.
Conclusão: o sonho não justifica a dívida
Apoiar Portugal num Mundial ao vivo é uma experiência única. Mas transformar essa experiência numa dívida que dura dois anos é uma decisão que merece ser pensada com calma — e com a calculadora ao lado.
Se tem margem financeira, planeie com antecedência, poupe e vá. Se a única forma de ir é através de um crédito pessoal, talvez o melhor golo que pode marcar este verão seja… na sua saúde financeira.
E lembre-se: um crédito bem pensado é para objetivos que valorizam — como comprar casa ou consolidar dívidas com melhores condições. Para tudo o resto, a poupança continua a ser a melhor estratégia.
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