O preço do petróleo voltou a disparar na sessão desta terça-feira, subindo mais de 3% e negociando acima dos níveis registados antes do início dos conflitos no Médio Oriente. Uma nova vaga de ataques dos Estados Unidos contra alvos iranianos reacendeu os receios de que o estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — possa voltar a ser afetado.
O barril de Brent, referência para as importações portuguesas, ultrapassou os 78 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) também registou fortes ganhos.
O que está a acontecer no Médio Oriente?
Os EUA lançaram novos ataques contra alvos no Irão durante a madrugada, numa escalada que está a aumentar a instabilidade na região. Em simultâneo, Washington revogou as autorizações especiais que permitiam a venda de petróleo iraniano, apertando ainda mais o cerco às exportações do país.
Como consequência, as bolsas asiáticas fecharam em baixa, o índice sul-coreano Kospi aproximou-se de território de bear-market, e os investidores correram para ativos de refúgio como o ouro e as obrigações soberanas.
O impacto nos combustíveis em Portugal
Para os automobilistas portugueses, a subida do crude traduz-se quase sempre em aumentos nos preços dos combustíveis na semana seguinte. O gasóleo e a gasolina são fortemente influenciados pelas cotações internacionais, e uma subida de 3% pode significar mais 2 a 3 cêntimos por litro nas próximas revisões.
Num momento em que a inflação em Portugal ainda não está totalmente controlada, o efeito cascata do petróleo também pode pressionar os preços dos bens alimentares, transportes e matérias-primas — tudo setores com forte dependência energética.
Efeitos na economia e nas famílias
Um petróleo mais caro tem três consequências diretas para as famílias portuguesas:
- Combustíveis mais caros — cada deslocação fica mais dispendiosa, afetando especialmente quem vive fora dos grandes centros urbanos.
- Inflação mais persistente — os custos de transporte encarecem toda a cadeia de distribuição, pressionando os preços no supermercado.
- Taxas de juro — se a inflação subir, o Banco Central Europeu pode adiar novos cortes nas taxas de juro, mantendo as prestações do crédito habitação elevadas por mais tempo.
O que dizem os analistas?
Os analistas alertam que a volatilidade no Médio Oriente deve continuar a marcar as próximas sessões. A tensão geopolítica junta-se a outros fatores de incerteza, como o abrandamento das economias europeias e as dúvidas sobre o impacto da inteligência artificial nos mercados tecnológicos.
Para já, os especialistas recomendam que as famílias com crédito habitação continuem atentas às decisões do BCE — a reunião de 23 de julho será crucial para perceber se os cortes nas taxas de juro continuam em setembro.
Fontes: Jornal de Negócios, ECO, idealista/news
Peça já a sua simulação gratuita e descubra quanto pode poupar.