Os receios de uma “bolha” na inteligência artificial voltaram a abalar Wall Street esta quinta-feira. Apesar das previsões robustas da TSMC para o próximo trimestre, o setor tecnológico norte-americano foi varrido por uma vaga de vendas, com o Nasdaq Composite a ceder 1,47% para 25.881,95 pontos.
O S&P 500 recuou 0,51% para 7.533,77 pontos e o industrial Dow Jones perdeu 0,20% para 52.552,97 pontos. Mas foi no setor dos semicondutores que a dor se sentiu com mais intensidade: um índice da Bloomberg com exposição às fabricantes de chips afundou cerca de 5%.
TSMC não convenceu os investidores
A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) — a maior fabricante mundial de chips — antecipou vendas entre 44,6 mil milhões e 45,8 mil milhões de dólares para o trimestre em curso, afirmando que “a procura por tecnologia IA continua extremamente robusta”. No entanto, a empresa revelou planos para investir mais capital do que o anteriormente antecipado em infraestrutura tecnológica — e foi exatamente esse gasto adicional que assustou os investidores.
O analista Matt Maley, da Miller Tabak, resumiu o sentimento do mercado à Bloomberg: “A evolução das ações do setor dos semicondutores daqui para a frente continua a ser a questão mais importante para o mercado bolsista. Estão claramente a mostrar alguns sinais significativos de fragilidade.”
Ásia tomba na abertura de sexta-feira
O efeito contágio foi imediato. As bolsas asiáticas abriram a sessão de sexta-feira (hoje) em forte queda: a TSMC caiu 7% na bolsa de Taipei e a fabricante japonesa de memórias Kioxia tombou 16%. O Kospi sul-coreano chegou a afundar 6%.
Entre as tecnológicas norte-americanas, a Alphabet (Google) desvalorizou 4,44% para 354,46 dólares, após a notícia de que a empresa vai adiar, mais uma vez, o lançamento da nova versão do seu modelo de IA, o Gemini.
Fed e petróleo adicionam pressão
A juntar à turbulência tecnológica, dois responsáveis da Reserva Federal (Fed) fizeram declarações que pesaram nos mercados. O presidente da Fed do Kansas, Jeff Schmid, afirmou que a inflação continua a ser a sua principal preocupação e admitiu o risco de voltar a acelerar. A sua homóloga de Dallas, Lorie Logan, foi mais longe e apelou mesmo a uma subida das taxas de juro.
Os preços do petróleo também pressionam, negociando em torno dos 85 dólares por barril, num contexto de tensões persistentes entre EUA e Irão, com as negociações de paz bloqueadas.
O que significa para os investidores portugueses?
Para os aforradores e investidores portugueses, este episódio de volatilidade nos mercados globais serve como um lembrete: as avaliações elevadas no setor tecnológico — impulsionadas pelo entusiasmo em torno da IA — podem sofrer correções rápidas e profundas. A diversificação da carteira de investimentos e a atenção aos fundamentais das empresas continuam a ser as melhores defesas.
Além disso, a perspetiva de que as taxas de juro possam manter-se elevadas (ou até subir) nos EUA e na Europa tem impacto direto nas famílias portuguesas com crédito habitação, especialmente aquelas com contratos indexados à Euribor.
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