O stock de crédito habitação em Portugal continua a crescer a um ritmo sem precedentes recentes. Segundo dados do Banco de Portugal divulgados a 29 de junho, o saldo total dos empréstimos à habitação aumentou 1.150 milhões de euros em maio, atingindo 115,7 mil milhões de euros.
Em comparação com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento homólogo foi de 10,8% — a maior subida registada desde fevereiro de 2003, há mais de 23 anos.
Por que razão o crédito continua a crescer
Este aumento reflete vários fatores estruturais:
- Preços das casas em máximos históricos — a avaliação bancária já ultrapassa os 2.200 €/m², o que obriga a financiamentos mais elevados para o mesmo tipo de imóvel.
- Procura mantém-se forte — apesar das taxas de juro ainda elevadas (Euribor a 12 meses nos 2,71%), a procura por habitação própria e para investimento continua a pressionar o mercado.
- Confiança no emprego — com o desemprego em mínimos, as famílias sentem-se mais seguras para assumir compromissos de longo prazo.
O outro lado: menos amortizações antecipadas
Em sentido contrário, os reembolsos antecipados — que tinham disparado durante o pico das taxas Euribor — estão a recuar. Em 2025, o número de amortizações totais ou parciais caiu 16,2% e o capital amortizado desceu 7,2% face a 2024. Com as taxas a estabilizar, as famílias sentem menos urgência em reduzir a dívida.
O que significa para quem vai comprar casa
Um stock de crédito em aceleração indica um mercado dinâmico, mas também acende alertas. O Banco de Portugal respondeu precisamente esta semana com a redução da taxa de esforço recomendada de 50% para 45%, tentando travar o risco de sobre-endividamento.
Para os compradores, o cenário atual exige planeamento cuidado: preços altos, regras de crédito mais apertadas e taxas de juro ainda significativas. Fazer uma simulação personalizada é o primeiro passo para perceber qual a prestação que cabe no seu orçamento.
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Fontes: Banco de Portugal, idealista/news