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"Super El Niño" pode empurrar inflação alimentar para dois dígitos em 2027

Organização Meteorológica Mundial alerta para fenómeno El Niño potencialmente forte, que pode agravar secas e fazer disparar os preços dos alimentos. Saiba como proteger o seu orçamento familiar.

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"Super El Niño" pode empurrar inflação alimentar para dois dígitos em 2027

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) lançou um alerta que deve preocupar as famílias portuguesas: um fenómeno “Super El Niño” está a desenvolver-se e poderá ter consequências graves nos preços dos alimentos nos próximos meses, com o risco de a inflação alimentar atingir dois dígitos em 2027.

O que está a acontecer?

As águas do Oceano Pacífico tropical estão “invulgarmente quentes”, criando as condições para um El Niño potencialmente forte. Segundo a OMM, este fenómeno climático “está a desenvolver-se e deverá influenciar os padrões globais de temperatura e precipitação, aumentando o risco de fenómenos meteorológicos extremos nos próximos meses”.

“Temos de nos preparar para um fenómeno El Niño potencialmente forte, que agravará a seca e as chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor”, alerta a organização.

Impacto nos preços dos alimentos

Os preços dos alimentos já estavam a subir devido à escassez de fertilizantes — um efeito secundário da guerra na Ucrânia que ainda não foi totalmente absorvido. Agora, as condições de cultivo mais difíceis provocadas pelo El Niño podem agravar ainda mais a situação.

O trigo, matéria-prima essencial para o pão que chega diariamente à mesa dos portugueses, já regista subidas nas cotações internacionais. Se o El Niño se confirmar com a intensidade prevista, os analistas antecipam que a inflação alimentar possa atingir os dois dígitos em 2027.

O que significa para o seu orçamento?

Para as famílias portuguesas que já enfrentam prestações do crédito habitação pressionadas pela Euribor, uma subida acentuada nos preços dos alimentos representa um duplo golpe no orçamento mensal. A alimentação é a segunda maior despesa das famílias portuguesas, a seguir à habitação.

Com a Euribor a 12 meses nos 2,737% e a inflação a mostrar resistência em baixar para a meta dos 2% do BCE, o cenário de subida dos preços alimentares pode atrasar ainda mais a descida das taxas de juro.

Como se preparar?

Embora não possamos controlar o clima, podemos tomar medidas para proteger o orçamento familiar: rever despesas mensais, considerar a renegociação do crédito habitação para libertar margem, e planear as compras de supermercado com mais antecedência.

A diversificação de investimentos também pode ser uma estratégia: ativos como ouro ou obrigações indexadas à inflação tendem a proteger o poder de compra em cenários inflacionistas.


Fontes: Jornal de Negócios, Organização Meteorológica Mundial

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Tags: Inflação Economia Alimentação Clima Orçamento Familiar
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