Portugal enfrenta aquilo que os analistas descrevem como uma “parede de dívida”: cerca de 9 mil milhões de euros em dívida pública que terão de ser refinanciados nos próximos meses. A notícia foi avançada pelo Jornal de Negócios e coloca o foco na capacidade do IGCP — a agência responsável pela gestão da dívida pública — para gerir este volume de reembolsos sem pressionar as taxas de juro.
O que é a “parede de dívida”?
A expressão “parede de dívida” refere-se a um grande volume de obrigações do Tesouro que atingem a maturidade num curto espaço de tempo. Quando estas obrigações vencem, o Estado tem de as refinanciar — ou seja, emitir nova dívida para pagar a que vence. Se o fizer num momento de taxas de juro mais elevadas, o custo do financiamento público sobe.
Contexto favorável, mas com riscos
Portugal beneficia atualmente de um contexto relativamente positivo nos mercados de dívida. O prémio de risco da dívida portuguesa face à alemã está em níveis historicamente baixos, tendo mesmo ficado abaixo do prémio de risco francês em semanas recentes. Isto significa que os investidores confiam mais na dívida portuguesa do que na francesa — um feito notável.
No entanto, a subida das taxas de juro do BCE e a instabilidade geopolítica no Médio Oriente podem alterar este cenário rapidamente. Um aumento das yields da dívida soberana teria impacto direto nas taxas Euribor e, por consequência, nas prestações do crédito habitação.
O que significa para as famílias?
As taxas de juro da dívida pública servem como referência para todo o sistema financeiro. Se o custo de financiamento do Estado subir, os bancos também pagam mais para se financiarem e repercutem esse aumento nos spreads do crédito habitação. A boa notícia é que, para já, a procura por dívida portuguesa mantém-se forte. Mas a dimensão da “parede” de 9 mil milhões justifica atenção redobrada.
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Fontes: Jornal de Negócios, IGCP