O Banco Central Europeu (BCE) volta a reunir-se esta quinta-feira, 23 de julho, para decidir a orientação da política monetária na Zona Euro. Com a inflação ainda acima da meta dos 2% e um contexto económico global incerto, os mercados antecipam que Christine Lagarde e o Conselho do BCE mantenham as taxas de juro inalteradas.
O que esperar da reunião do BCE?
A taxa de depósito — a principal referência para a política monetária — deverá permanecer nos 2,50%, enquanto a taxa das operações principais de refinanciamento se mantém nos 2,75%. Esta seria a quarta reunião consecutiva sem alterações, num ciclo de pausa que começou após os cortes do final de 2025.
Os analistas apontam três fatores que pesam na decisão:
- Inflação resistente: apesar da desaceleração em Portugal para 3,2% em junho, a média da Zona Euro permanece acima do objetivo, pressionada pelos preços da energia e dos serviços.
- Petróleo em alta: a subida do preço do crude, impulsionada pelas tensões no Médio Oriente, pode reacender pressões inflacionistas nos próximos meses.
- Incerteza geopolítica: o conflito no Médio Oriente e as tensões comerciais globais criam um ambiente de risco que desaconselha movimentos bruscos.
Como afeta o crédito habitação em Portugal?
Para quem tem crédito habitação indexado à Euribor, a manutenção das taxas do BCE significa que a Euribor deverá continuar a oscilar nos níveis atuais. Os dados mais recentes (17 de julho) mostram:
| Maturidade | Taxa |
|---|---|
| Euribor a 3 meses | 2,483% |
| Euribor a 6 meses | 2,688% |
| Euribor a 12 meses | 2,873% |
A Euribor a 12 meses tem mostrado alguma volatilidade — subiu de 2,800% (13 de julho) para 2,873% (17 de julho), um movimento que pode indicar que os mercados estão a antecipar taxas mais altas durante mais tempo.
Se a mensagem de Lagarde na conferência de imprensa de quinta-feira for mais “hawkish” (dura) do que o esperado, a Euribor pode subir nos dias seguintes, encarecendo as revisões de prestações que ocorrerem nesse período. Pelo contrário, sinais de abertura a cortes futuros podem aliviar a pressão.
O que pode fazer?
Num cenário de incerteza, comparar propostas de crédito habitação torna-se ainda mais importante. A diferença entre um spread de 0,7% e 1,2% pode representar dezenas de euros por mês — e centenas ao longo do ano.
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Fontes: Jornal de Negócios (19/07/2026), Euribor-rates.eu (17/07/2026)