Financial Options
Autor
A poupança das famílias portuguesas em certificados de aforro registou em maio o maior salto mensal dos últimos três anos, segundo dados revelados esta semana. O montante aplicado nestes produtos de dívida pública voltou a acelerar, num movimento que reflete a postura cautelosa dos aforradores perante um cenário de taxas de juro ainda elevadas e incerteza geopolítica.
Julho bateu novo recorde — e setembro paga o máximo
A tendência não abrandou. Em julho, os portugueses aplicaram mais 767,6 milhões de euros em certificados de aforro — uma subida mensal de 15% que levou o investimento total a um novo máximo histórico, segundo dados do Banco de Portugal divulgados a 20 de agosto.
E o ritmo deve continuar: com a Euribor a 3 meses acima dos 2,5%, a taxa base da Série F atinge em setembro o teto máximo de 2,50% — o primeiro máximo desde que a atual fórmula entrou em vigor. A somar o prémio de permanência (até +1,75 pontos percentuais no 14.º-15.º ano), a remuneração total pode chegar a 4,25% ao ano, muito acima da generalidade dos depósitos a prazo. Quem quer perceber o funcionamento completo (subscrição, resgates, impostos e limites) tem agora um guia dedicado aos certificados de aforro.
Porque é que as famílias estão a poupar mais?
O contexto económico de 2026 tem sido marcado por vários fatores que incentivam a poupança. A Euribor a 12 meses, que serve de referência para a maioria dos créditos habitação em Portugal, mantém-se acima dos 2,7%, pressionando as prestações da casa. Ao mesmo tempo, a subida das taxas diretoras do Banco Central Europeu (BCE) em junho tornou os certificados de aforro mais atrativos, com taxas de remuneração mais competitivas face a depósitos a prazo tradicionais.
A guerra no Médio Oriente e a consequente instabilidade nos preços da energia também pesam nas decisões das famílias, que preferem reforçar a almofada financeira em vez de assumir novos compromissos de crédito.
O que isto significa para o crédito habitação?
O aumento da poupança em certificados de aforro tem duas leituras para quem tem ou pondera contratar um crédito habitação. Por um lado, mostra que as famílias estão a preparar-se para um cenário de prestações mais elevadas durante mais tempo — o Banco de Portugal já alertou que o investimento na habitação deverá abrandar com novas subidas da Euribor.
Por outro lado, ao acumularem poupança, as famílias ficam em melhor posição para negociar com os bancos, seja para aumentar a entrada inicial na compra de casa, seja para amortizar antecipadamente o crédito. A decisão entre amortizar o crédito habitação ou manter a poupança em certificados de aforro depende das taxas de cada produto e do perfil de cada família — mas ter opções é sempre uma vantagem.
E os depósitos a prazo?
Apesar do crescimento dos certificados de aforro, os depósitos a prazo continuam a ser o instrumento de poupança mais comum em Portugal. Contudo, as taxas médias oferecidas pelos bancos nacionais continuam abaixo da remuneração dos certificados, o que explica a migração de aforradores para a dívida pública — como os novos Certificados do Tesouro.
Para quem está a planear a compra de casa, é importante comparar o custo do crédito habitação com o retorno da poupança. Se a taxa de juro do empréstimo for superior à remuneração dos certificados, amortizar pode ser a melhor estratégia.
Peça já a sua simulação gratuita e descubra quanto pode poupar no seu crédito habitação.
Fontes:
- Jornal de Negócios, Poupanças das famílias nos certificados de aforro dão maior salto em três anos, 19/06/2026
- Banco de Portugal, indicadores de poupança, maio 2026
- Lusa / Diário de Notícias, Investimento em certificados de aforro sobe 15% e volta a atingir recorde em julho, 20/08/2026
- Expresso / ECO, Certificados de Aforro: taxa base atinge o máximo em setembro, 24/08/2026
- IGCP, Condições de Subscrição de Certificados de Aforro, Série F (consultado a 24/08/2026)
📚 Artigos relacionados: Governo lança novos Certificados do Tesouro para atrair poupanças das famílias · Certificados de Aforro: quanto rendem em 2026 e como subscrever (guia) · Depósitos a prazo em recorde: 13,7 mil milhões aplicados em julho e juros a subir há seis meses