A procura de crédito à habitação em Portugal registou uma ligeira redução no segundo trimestre de 2026, de acordo com o inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito divulgado pelo Banco de Portugal. A descida foi considerada “ligeira”, mas marca uma inversão face à tendência de crescimento verificada nos trimestres anteriores.
Critérios mais restritivos
O relatório do Banco de Portugal revela também que os critérios de concessão de crédito tornaram-se ligeiramente mais restritivos, especialmente para pequenas e médias empresas (PME) e nos empréstimos de longo prazo. Para o crédito à habitação, a restrição foi menos acentuada, mas ainda assim sentida.
Esta prudência dos bancos reflete o contexto de taxas de juro elevadas — a Euribor a 12 meses está atualmente nos 2,918% — e a incerteza quanto à evolução da economia portuguesa e europeia nos próximos meses.
O que explica a redução da procura?
Vários fatores contribuem para este arrefecimento:
- Euribor em alta: com a taxa a 12 meses acima dos 2,9%, as prestações mensais subiram significativamente para quem tem crédito a taxa variável
- Preços das casas elevados: o valor médio dos imóveis continua a subir, dificultando o acesso à compra
- Incerteza económica: a inflação, embora em desaceleração (3,2% em junho), mantém-se acima do objetivo do BCE
O que esperar nos próximos meses
Apesar deste ligeiro recuo, o mercado de crédito habitação em Portugal continua ativo. A descida da oferta de arrendamento (menos 22% no segundo trimestre) está a empurrar muitas famílias para a compra de casa como alternativa. E com os bancos a apresentarem lucros robustos — o Santander, por exemplo, viu os lucros dispararem 31,3% no primeiro semestre — a concorrência no crédito habitação deverá manter-se elevada.
Para quem está a planear comprar casa, este momento de menor procura pode ser uma oportunidade para negociar melhores condições com os bancos, que continuam com forte apetite pelo crédito à habitação.
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Fonte: CNN Portugal / Lusa / Banco de Portugal (21 de julho de 2026)