Atualização de outubro de 2026: a mista voltou a disparar para 87%
O recuo para 75% em 2025 foi conjuntural, não uma inversão de tendência. Os dados mais recentes do Banco de Portugal, referentes a agosto de 2026, mostram que 87% dos novos empréstimos à habitação foram contratados em taxa mista — o valor mais alto do ano. No conjunto dos contratos em vigor, a mista já pesa 49%, acima da taxa variável (46%).
O preço explica a escolha: a taxa média dos novos contratos estava em 2,86% na mista e 3,23% na variável, uma diferença de 0,37 pontos percentuais. A mista deixou de ser apenas uma proteção e passou a ser também a opção mais barata no início do contrato. O risco está no fim do período fixo — analisámos isso em Taxa mista vs variável: o que a Fitch avisa para 2027.
Taxa mista ainda domina, mas portugueses voltam a olhar para a taxa variável
A taxa mista continua a ser a escolha preferida das famílias portuguesas na contratação de novo crédito habitação, mas está a perder peso. De acordo com o Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito divulgado pelo Banco de Portugal, a taxa mista representou 75% do novo crédito habitação em 2025, uma descida face aos valores de 2024.
O relatório, publicado a 23 de junho, confirma uma “substituição parcial de contratação a taxa mista” por contratos a taxa variável, num contexto em que a Euribor — o indexante de referência para a maioria dos empréstimos em Portugal — tem vindo a descer gradualmente.
Por que razão a taxa mista continua a liderar?
A taxa mista oferece um compromisso entre segurança e flexibilidade: os primeiros anos (normalmente 2 a 5) têm uma taxa fixa, que protege a família de subidas inesperadas da Euribor, seguidos de um período em taxa variável, que beneficia da Euribor quando esta está em queda.
Este perfil é especialmente atrativo para famílias que:
- Querem previsibilidade na prestação durante os primeiros anos do empréstimo
- Não querem correr o risco de uma subida abrupta da Euribor nos próximos 2-3 anos
- Pretendem beneficiar de taxas mais baixas no futuro, quando a Euribor normalizar
A taxa variável está de volta?
Com a Euribor a 12 meses nos 3,215%, a 6 meses nos 2,970% e a 3 meses nos 2,642% (outubro de 2026), a taxa variável deixou de ser a mais barata à entrada. Nos novos contratos, o Banco de Portugal reporta uma média de 3,23% na variável contra 2,86% na mista.
Para um empréstimo de 150.000 euros a 30 anos, a diferença na prestação mensal é agora a favor da mista:
- Taxa mista a 2,86%: prestação de cerca de 621 euros
- Taxa variável a 3,23% (Euribor + spread): prestação de cerca de 651 euros
São cerca de 30 euros por mês — perto de 1.800 euros em cinco anos — sem contar com o risco de a Euribor subir na revisão seguinte. A variável só compensa se a Euribor descer de forma sustentada e se o contrato não tiver penalizações na amortização antecipada; a mista protege nos primeiros anos, mas cobra essa proteção no fim do período fixo.
Qual escolher em 2026?
Não há uma resposta única. A escolha entre taxa mista e variável depende do perfil de risco de cada família, do orçamento disponível e das expectativas quanto à evolução da Euribor.
O que é certo é que, com o Banco Central Europeu a manter uma política monetária cautelosa face à incerteza geopolítica, as taxas Euribor deverão permanecer estáveis ou ligeiramente em queda nos próximos meses — o que continua a favorecer quem opta pela taxa variável. A reunião do BCE desta semana será determinante para confirmar esta trajetória. Entretanto, a oferta de arrendamento caiu 22%, o que continua a empurrar muitas famílias para a compra de casa com crédito habitação.
Independentemente da taxa escolhida, comparar várias propostas é o passo que mais impacta o custo total do empréstimo — veja quanto pode poupar ao comparar bancos.
Fontes: Banco Central Europeu, Banco de Portugal, idealista/news
Fonte: Banco de Portugal — Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito (junho 2026), BPstat (agosto 2026), Jornal Económico — Taxa mista dispara para 87% nos novos créditos (19 de outubro de 2026)
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