Crédito Habitação

Taxa fixa, variável ou mista: qual escolher?

Taxa fixa, variável ou mista no crédito habitação? Compare vantagens, riscos e saiba qual a melhor opção para o seu perfil.

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Henrique Moreira Revisto por Henrique Moreira Diretor e Cofundador Crédito Habitação Publicado em Atualizado em 7 min de leitura

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Taxa variável acompanha a Euribor e é a mais barata no início, mas a prestação sobe quando os juros sobem. Taxa fixa mantém a prestação igual durante todo o prazo. Taxa mista fixa a taxa nos primeiros anos e depois passa a variável — em Portugal, a fixação inicial encurtou e a mediana está hoje perto de dois anos, o que torna a data da revisão um momento a planear com antecedência (o que a Fitch avisa para 2027). Para quem não tem folga no orçamento, a mista ou a fixa são hoje as opções mais prudentes; a variável faz sentido para quem aguenta subidas de 100 € a 200 € na prestação.

A melhor escolha depende do seu perfil de risco, da sua margem orçamental e do contexto de mercado. Este guia ajuda-o a decidir.

Em 2026: O BCE voltou a subir as taxas de juro (a taxa de depósito está em 2,50% desde 16 de setembro) e a Euribor a 12 meses estava em 3,308% a 28 de setembro de 2026. Neste contexto, a taxa mista é a modalidade mais escolhida em Portugal: protege a prestação nos primeiros anos. Consulte o valor mais recente em Euribor hoje.

Os três regimes em resumo

Taxa Variável

A prestação está indexada à Euribor. Sobe quando a Euribor sobe, desce quando a Euribor desce. Maior risco, maior potencial de poupança.

Taxa Fixa

A taxa de juro é acordada no início e mantém-se inalterada durante todo o prazo. Prestação constante. Segurança total, sem surpresas.

Taxa Mista

Combina um período inicial de taxa fixa com um período subsequente de taxa variável. O equilíbrio entre segurança e poupança.


Taxa variável

Na taxa variável, a sua prestação está indexada à Euribor (normalmente a 6 meses) e é revista a cada período de referência. Quando a Euribor sobe, a prestação sobe; quando desce, a prestação desce.

VantagensRiscos
💰Prestações iniciais mais baixas — a Euribor está normalmente abaixo das taxas fixas oferecidas.A prestação pode subir significativamente se a Euribor disparar.
📉Beneficia de descidas da Euribor — cada revisão pode trazer uma poupança.Incerteza orçamental — nunca sabe exatamente quanto vai pagar daqui a 2 ou 5 anos.
🔄Maior flexibilidade para amortizações antecipadas (comissão máxima de 0,5% do capital reembolsado).Exige margem financeira para absorver subidas.
🎯 Perfil indicado: Quem tem margem orçamental confortável e aceita a volatilidade em troca de poupança potencial. Ideal para quem planeia amortizar o crédito antecipadamente.

Taxa fixa

Na taxa fixa, a taxa de juro é acordada no início e mantém-se inalterada durante todo o prazo do empréstimo (ou durante o período contratado). A prestação é sempre igual, independentemente do que acontecer à Euribor.

VantagensDesvantagens
🛡️Prestação constante, previsível e segura.Taxa inicial mais elevada do que a variável.
🔒Proteção total contra subidas da Euribor.Não beneficia de descidas da Euribor.
📋Ideal para planeamento orçamental — sabe exatamente quanto paga até ao fim.Comissão de amortização antecipada mais elevada (até 2% do capital reembolsado).
🎯 Perfil indicado: Quem tem orçamento mais apertado e não pode correr o risco de ver a prestação subir. Famílias com rendimentos fixos que valorizam previsibilidade acima de tudo.

Taxa mista

A taxa mista combina um período inicial de taxa fixa (normalmente 2, 5, 10 ou até 25 anos) com um período subsequente de taxa variável. É a modalidade mais popular em Portugal atualmente.

VantagensDesvantagens
🛡️Segurança nos primeiros anos — proteção contra subidas iniciais da Euribor.No final do período fixo, a prestação pode sofrer um “choque” se a Euribor estiver alta.
💰Taxa fixa inicial normalmente mais baixa do que uma taxa fixa para todo o prazo.As condições do período variável são definidas no contrato inicial — o spread é fixado nesse momento.
📉Após o período fixo, pode beneficiar de descidas da Euribor.Menos flexibilidade para renegociar durante o período fixo.
🎯 Perfil indicado: A maioria dos compradores em Portugal — quem quer segurança inicial mas aceita alguma exposição futura à Euribor. Períodos fixos de 5 ou 10 anos são os mais comuns.

Contexto atual do mercado (2022–2026)

A Euribor passou por uma subida histórica entre 2022 e 2023, impulsionada pelos aumentos das taxas de juro do BCE. Entre meados de 2024 e 2025 o BCE desceu as taxas e a Euribor aliviou. Em 2026 o ciclo inverteu-se: o BCE subiu as taxas duas vezes, a última a 10 de setembro de 2026, e a Euribor a 12 meses voltou a máximos de dois anos. Para perceber ao detalhe como cada revisão da Euribor mexe na prestação, veja o guia Euribor: como afeta a prestação da casa. Este contexto ajuda a explicar por que razão a taxa mista já representa cerca de 75% do novo crédito habitação em Portugal.

O que isto significa para cada regime:

RegimeImpacto no contexto atual
Taxa variávelCom a Euribor a subir, cada revisão pode aumentar a prestação. Só faz sentido com margem orçamental para absorver subidas.
Taxa mistaOferece um “meio-termo” — fixa a taxa nos próximos anos e protege o orçamento enquanto os juros sobem. No fim do período fixo, a prestação passa a depender da Euribor dessa altura.
Taxa fixaCostuma começar mais cara, mas oferece tranquilidade absoluta independentemente da evolução do mercado.

Como decidir: framework de decisão

Pergunte a si próprio:

  • Qual é a minha margem orçamental? — Se a prestação subir 100 € ou 200 €, consigo pagar? Se a resposta for "não" ou "com dificuldade", opte por taxa fixa ou mista com um período fixo mais longo.
  • Qual é o meu horizonte? — Pensa manter o crédito durante muitos anos ou prevê amortizar antecipadamente? Se planeia liquidar o empréstimo em 10-15 anos, uma taxa mista pode ser ideal.
  • Qual é a minha tolerância ao risco? — Dorme mal com a ideia de a prestação subir? Taxa fixa. Sente-se confortável com flutuações? Taxa variável.
  • Perspetivas de mercado — Consulte um especialista sobre as previsões da Euribor para o seu horizonte temporal. A Financial Options pode ajudá-lo com esta análise.
Dica: Não decida baseado apenas em feeling. Peça simulações para os três regimes e compare os MTICs seguindo o método do guia como comparar propostas de crédito habitação. A diferença entre regimes pode surpreendê-lo.

Recomendações práticas por perfil

PerfilRecomendaçãoPorquê?
Orçamento apertado, precisa de dormir descansadoTaxa fixa ou mista (10+ anos fixo)Previsibilidade total, sem risco de subida
Margem confortável, quer pagar o mínimo possívelTaxa variávelPrestação inicial mais baixa e acompanha a Euribor quando descer, mas também quando subir
Equilíbrio entre segurança e poupançaTaxa mista (5 anos fixo)Proteção inicial + flexibilidade futura
Planeia vender ou amortizar em menos de 5 anosTaxa variávelMenor penalização na amortização (0,5% vs 2%)
Em qualquer cenário: A decisão deve ser informada por simulações reais e aconselhamento profissional. Um bom intermediário de crédito apresenta-lhe cenários para cada tipo de taxa e ajuda-o a escolher com base em números, não em suposições.

Fontes: BCE — decisões de política monetária, 10 de setembro de 2026, Euribor-rates.eu — taxas Euribor, Decreto-Lei n.º 74-A/2017 — comissão de reembolso antecipado

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