Prestação da casa sobe até 91 euros em outubro — a maior subida em três anos

Prestação da casa sobe até 91 euros em outubro — a maior subida em três anos

Com a Euribor acima dos 3% em setembro, as prestações revistas em outubro sobem entre 25 e 91 euros num crédito de 150.000 euros. Veja o impacto e o que fazer.

Euribor Prestação da Casa Crédito Habitação Revisão da Taxa Renegociação
Henrique Moreira Revisto por Henrique Moreira Diretor e Cofundador Publicado em 7 min de leitura
Ficha rápida
Euribor 12M (média set.*)
3,243%
Subida 12M
+91 €/mês
Subida 6M
+50 €/mês
Subida 3M
+25 €/mês

Quem tem a taxa do crédito habitação revista em outubro de 2026 vai sentir a maior subida da prestação da casa dos últimos três anos. A Euribor a 12 meses passou todo o mês de setembro acima dos 3%, e a média mensal que serve de base à revisão de muitos contratos ficou cerca de 1,07 pontos percentuais acima da de há um ano.

Num crédito de 150.000 euros a 30 anos com spread de 1,00%, a prestação sobe entre 25 euros (Euribor a 3 meses) e 91 euros por mês (Euribor a 12 meses), segundo cálculos publicados pelo ECO a 30 de setembro, que confirmámos com o nosso próprio simulador.

Quanto sobe a prestação, por indexante

IndexanteMédia usada antesMédia de setembro de 2026*Prestação antesPrestação a partir de outubroDiferença
Euribor 3 meses~2,34% (junho de 2026)2,636%660 €685 €+25 €
Euribor 6 meses~2,32% (março de 2026)2,914%659 €709 €+50 €
Euribor 12 meses~2,17% (setembro de 2025)3,243%646 €737 €+91 €

* Médias de setembro calculadas pelo ECO com as sessões até 29 de setembro; a média oficial do mês fecha com a sessão de 30 de setembro e pode variar ligeiramente. Exemplo com 150.000 euros de capital, 30 anos de prazo e spread de 1,00%; valores arredondados ao euro e meramente ilustrativos.

Para quem tem Euribor a 12 meses, os 91 euros por mês somam cerca de 1.090 euros nos próximos 12 meses — a nova prestação fica fixa até à revisão de outubro de 2027. Num contrato com 120.000 euros em dívida e 25 anos por pagar, a subida seria de cerca de 70 euros por mês (de 580 para 650 euros).

O movimento é visível nas sessões diárias: a Euribor a 12 meses abriu setembro nos 3,029% (1 de setembro), atingiu 3,379% a 25 de setembro e fixou-se em 3,362% a 29 de setembro. Pode acompanhar os valores atualizados na nossa página Euribor hoje.

Porque é que a subida é tão diferente entre indexantes

A diferença não está na Euribor de hoje, mas no ponto de partida de cada contrato:

  • Euribor a 12 meses: a última revisão foi há um ano, com a média de setembro de 2025, quando a taxa rondava os 2,17%. Desde então, o BCE subiu duas vezes as taxas diretoras, e a taxa de depósito está nos 2,50% desde 16 de setembro. Segundo o ECO, é a primeira vez desde agosto de 2024 que a média mensal da Euribor a 12 meses passa os 3%.
  • Euribor a 6 meses: a comparação é com março de 2026 (~2,32%). A subida é de cerca de 0,59 pontos.
  • Euribor a 3 meses: revisto em julho, com a média de junho (~2,34%). A subida é de cerca de 0,30 pontos, mas repete-se com mais frequência — segundo as contas do ECO, é o 13.º aumento mensal consecutivo nestes contratos.

Se quer perceber exatamente como a taxa é aplicada ao seu caso — que média, que data, que arredondamento —, o guia como a Euribor afeta a prestação explica o mecanismo passo a passo.

O contexto: mais dívida e juros mais altos

A subida das prestações acontece num momento em que as famílias portuguesas nunca deveram tanto à banca. Segundo o Banco de Portugal, o stock de crédito à habitação atingiu 119.062 milhões de euros em agosto, com uma taxa de variação anual de 11,2% — a mais alta desde fevereiro de 2003. Já tínhamos analisado a tendência quando o stock bateu o máximo de 20 anos em julho.

Ao mesmo tempo, a taxa de juro média do conjunto dos créditos à habitação em vigor subiu para 3,162% em agosto, a quarta subida mensal seguida, de acordo com o INE — detalhes em juros no crédito habitação sobem pelo 4.º mês. Com carteiras maiores e indexadas à Euribor, cada décima conta mais do que em anos anteriores.

O que pode fazer antes (e depois) da revisão

A revisão da Euribor é automática e não se negocia. O resto do contrato, sim:

  1. Confirme a data e o indexante. Veja no contrato ou no extrato qual é a Euribor aplicada, em que mês é revista e se usa a média do mês anterior ou outra data. Só assim sabe se esta subida lhe diz respeito.
  2. Negoceie o spread. É a parte fixa da taxa e a única que depende de negociação. A título de exemplo, com a Euribor a 12 meses em 3,243%, baixar o spread de 1,00% para 0,85% num crédito de 150.000 euros a 30 anos reduz a prestação de 737 para cerca de 724 euros; para 0,75%, cerca de 716 euros. O roteiro completo está em renegociar o crédito habitação com o banco.
  3. Peça propostas a outros bancos. Uma proposta por escrito da concorrência é a alavanca mais eficaz na negociação e, se a diferença compensar os custos, abre a porta a transferir o crédito habitação.
  4. Reveja os seguros. Os seguros de vida e multirriscos associados ao crédito podem ser contratados fora do banco, desde que cumpram as coberturas exigidas — muitas vezes é aqui que está a poupança mais rápida. Veja o que diz o guia dos seguros do crédito habitação.
  5. Pondere fixar a taxa. A taxa fixa ou mista troca a possibilidade de a Euribor descer pela previsibilidade da prestação. Não é uma aposta, é uma decisão de proteção do orçamento: compare as opções em taxa fixa, variável ou mista.
  6. Cuidado com o alívio fácil. Alargar o prazo baixa a prestação, mas aumenta os juros pagos no total. Se tem poupanças, amortizar parte do capital reduz a prestação sem esse custo — mas mantenha um fundo de emergência.

Renegociar não é um direito automático: o banco avalia o seu perfil, a taxa de esforço e o valor do imóvel, e não é obrigado a aceitar. Chegar com números e propostas alternativas muda o resultado.

O que se segue

A próxima reunião de política monetária do BCE está marcada para 29 de outubro. Uma nova subida não está garantida — o BCE decide reunião a reunião —, mas enquanto a Euribor se mantiver acima dos 3%, cada revisão de contratos indexados a 6 e 12 meses tende a ser um aumento face à anterior. Explicámos o que decidiu o BCE em setembro em BCE sobe juros para 2,5%.

Em resumo

  • Revisões de outubro: subida de 25 euros (3 meses), 50 euros (6 meses) e 91 euros (12 meses) num crédito de 150.000 euros a 30 anos, com spread de 1,00%;
  • Causa: a média da Euribor a 12 meses em setembro (cerca de 3,24%) ficou mais de um ponto acima da de setembro de 2025;
  • O que depende de si: spread, seguros, propostas da concorrência e o tipo de taxa.

Para saber quanto vai pagar no seu caso concreto, pode simular a prestação com as taxas atuais ou pedir uma análise gratuita — a Financial Options é intermediário de crédito registado no Banco de Portugal e compara propostas de vários bancos sem custos para si.

Fontes: ECO — “Outubro traz a maior subida da prestação da casa em três anos” (30/09/2026), Euribor-rates.eu — Euribor a 12 meses, Banco de Portugal — BPstat, crédito à habitação, BCE — decisões de política monetária de 10 de setembro de 2026, INE

Tags: Euribor Prestação da Casa Crédito Habitação Revisão da Taxa Renegociação
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