Juros no crédito habitação sobem pelo 4.º mês para 3,162%

Juros no crédito habitação sobem pelo 4.º mês para 3,162%

A taxa de juro implícita no crédito habitação subiu para 3,162% em agosto, o 4.º mês consecutivo. A prestação média chegou aos 418 euros — metade são juros.

Crédito Habitação Juros INE Prestação da Casa Euribor
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6 min de leitura
Ficha rápida
Taxa implícita (agosto)
3,162%
Subida mensal
+2,7 p.b. — 4.º mês consecutivo
Prestação média
418 € (+24 € vs 2025)
Juros na prestação
209 € (50% do total)
Novos contratos
744 €/mês

Os juros do crédito habitação voltaram a subir em agosto. Segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 18 de setembro, a taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito habitação fixou-se em 3,162% — mais 2,7 pontos base do que em julho e o quarto mês consecutivo de subida. A prestação média paga pelas famílias portuguesas subiu para 418 euros.

É a inversão completa do que se passou no início do ano, quando a taxa implícita tocou mínimos de três anos. Para quem tem crédito habitação, a pergunta prática é simples: quanto disto ainda vai chegar à minha prestação? O essencial está aqui.

O essencial em 30 segundos

  • Taxa implícita: 3,162% em agosto (+2,7 p.b. face a julho) — 4.º mês consecutivo de subida;
  • Prestação média: 418 euros — mais 4 euros do que em julho e mais 24 euros do que em agosto de 2025;
  • Metade da prestação são juros: 209 euros dos 418 euros pagos vão para juros, não para amortizar capital;
  • Quem contratou há pouco paga mais: nos contratos celebrados nos últimos três meses, a prestação média chegou aos 744 euros;
  • A causa está na Euribor, que voltou a níveis de 2024: a 12 meses está em 3,343%, depois de um máximo de 3,374% a 16 de setembro, o valor mais alto desde outubro de 2024.

A série mês a mês

MêsTaxa implícitaPrestação médiaVariação
Maio de 20263,065%405 €
Junho de 20263,101%411 €+6 €
Julho de 20263,135%414 €+3 €
Agosto de 20263,162%418 €+4 €

A subida é lenta, mas é persistente: em quatro meses, a prestação média subiu 13 euros. E há um detalhe que pesa mais do que a variação mensal — a composição da prestação.

418 euros de prestação, 209 euros de juros

Do valor médio pago em agosto, metade corresponde a juros. São 209 euros que não reduzem a dívida nem aumentam o património de quem paga: servem apenas para remunerar o capital emprestado. O capital médio em dívida no conjunto dos contratos mantém-se acima dos 80 mil euros.

Esta proporção é o retrato de um stock de crédito ainda caro: mesmo com a Euribor longe dos máximos de 2023 e 2024, cada euro de prestação continua a dividir-se quase a meio entre juros e amortização. Foi precisamente esse peso que motivou o aperto da taxa de esforço para 45% nas novas concessões.

Novos contratos: 744 euros por mês

Quem contratou crédito nos últimos três meses sente o custo de forma mais direta. A prestação média nesses contratos é de 744 euros — muito acima dos 418 euros do conjunto. A diferença não é só de juros: reflete montantes financiados mais elevados (o stock de crédito habitação atingiu recordes) e prazos mais longos nos empréstimos recentes.

Porque é que os juros voltaram a subir

A explicação está na Euribor. Depois de meses de descida, o índice voltou a subir ao longo de 2026, pressionado pela inflação persistente na zona euro e pelo conflito no Médio Oriente, que voltou a empurrar os preços da energia. O Banco Central Europeu respondeu com subidas de 25 pontos base — a taxa de referência está nos 2,5% desde setembro — e a Euribor a 12 meses já está em 3,343%, o valor mais alto desde outubro de 2024.

Como cada contrato só é revisto no seu aniversário, o efeito nas prestações chega em diferido — e é por isso que a taxa implícita sobe mesmo quando a Euribor estabiliza, e vice-versa. Este ciclo de subidas já se nota há vários meses.

Há, contudo, uma mudança estrutural a acontecer do lado do crédito novo: os contratos a taxa mista já representam cerca de metade do crédito habitação contratado, sinal de que as famílias estão a trocar o risco da Euribor por uma prestação previsível durante os primeiros anos.

O que pode fazer com a sua prestação

  • Verifique quando é a sua revisão. Nos contratos a Euribor a 12 meses a prestação é revista anualmente; à 6 meses, semestralmente. Saber a data exata é o primeiro passo para saber se a subida já chegou — ou ainda vai chegar;
  • Compare propostas. A transferência do crédito para outro banco costuma ser o caminho mais rápido para baixar a prestação de contratos antigos com spread elevado, e comparar propostas não obriga a nada;
  • Negocie o spread com o banco atual. Uma proposta escrita de outro banco é o argumento mais eficaz numa renegociação — e não tem custos;
  • Confirme o impacto na taxa de esforço. Se está a pensar contratar crédito novo, a taxa de esforço é hoje o critério decisivo para a aprovação.

Perguntas frequentes

Quanto subiu a prestação média do crédito habitação em agosto de 2026? Ficou nos 418 euros: mais 4 euros do que em julho e mais 24 euros do que em agosto de 2025. Cerca de metade — 209 euros — corresponde a juros.

A minha prestação vai aumentar outra vez? Só saberá com certeza na data de revisão do seu contrato. Se a revisão anual se aproxima, a referência será a Euribor do mês anterior; enquanto esta se mantiver acima dos valores de 2025, há risco de nova subida.

O que é a taxa de juro implícita do INE? É a taxa média ponderada de todos os contratos de crédito habitação em vigor — não a taxa de um crédito novo. Serve para medir o custo médio do stock de crédito do país, incluindo os empréstimos antigos e mais baratos.

Estas taxas são as que o banco me vai oferecer num crédito novo? Não. Num crédito novo, o que conta é a Euribor do momento (ou a taxa fixa/mista proposta), o spread do banco, o prazo e os encargos associados. A taxa implícita do INE é um indicador macroeconómico.

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Fontes: INE — Estatísticas de crédito habitação e taxa de juro implícita, ECO — Taxa de juro no crédito à habitação sobe pelo quarto mês seguido para 3,162%, Público, Diário Imobiliário — Prestações da casa voltam a subir: novos contratos chegam aos 744 euros, Jornal PT50, Banco Central Europeu.

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Tags: Crédito Habitação Juros INE Prestação da Casa Euribor
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