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- Taxa implícita (agosto)
- 3,162%
- Subida mensal
- +2,7 p.b. — 4.º mês consecutivo
- Prestação média
- 418 € (+24 € vs 2025)
- Juros na prestação
- 209 € (50% do total)
- Novos contratos
- 744 €/mês
Os juros do crédito habitação voltaram a subir em agosto. Segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 18 de setembro, a taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito habitação fixou-se em 3,162% — mais 2,7 pontos base do que em julho e o quarto mês consecutivo de subida. A prestação média paga pelas famílias portuguesas subiu para 418 euros.
É a inversão completa do que se passou no início do ano, quando a taxa implícita tocou mínimos de três anos. Para quem tem crédito habitação, a pergunta prática é simples: quanto disto ainda vai chegar à minha prestação? O essencial está aqui.
O essencial em 30 segundos
- Taxa implícita: 3,162% em agosto (+2,7 p.b. face a julho) — 4.º mês consecutivo de subida;
- Prestação média: 418 euros — mais 4 euros do que em julho e mais 24 euros do que em agosto de 2025;
- Metade da prestação são juros: 209 euros dos 418 euros pagos vão para juros, não para amortizar capital;
- Quem contratou há pouco paga mais: nos contratos celebrados nos últimos três meses, a prestação média chegou aos 744 euros;
- A causa está na Euribor, que voltou a níveis de 2024: a 12 meses está em 3,343%, depois de um máximo de 3,374% a 16 de setembro, o valor mais alto desde outubro de 2024.
A série mês a mês
| Mês | Taxa implícita | Prestação média | Variação |
|---|---|---|---|
| Maio de 2026 | 3,065% | 405 € | — |
| Junho de 2026 | 3,101% | 411 € | +6 € |
| Julho de 2026 | 3,135% | 414 € | +3 € |
| Agosto de 2026 | 3,162% | 418 € | +4 € |
A subida é lenta, mas é persistente: em quatro meses, a prestação média subiu 13 euros. E há um detalhe que pesa mais do que a variação mensal — a composição da prestação.
418 euros de prestação, 209 euros de juros
Do valor médio pago em agosto, metade corresponde a juros. São 209 euros que não reduzem a dívida nem aumentam o património de quem paga: servem apenas para remunerar o capital emprestado. O capital médio em dívida no conjunto dos contratos mantém-se acima dos 80 mil euros.
Esta proporção é o retrato de um stock de crédito ainda caro: mesmo com a Euribor longe dos máximos de 2023 e 2024, cada euro de prestação continua a dividir-se quase a meio entre juros e amortização. Foi precisamente esse peso que motivou o aperto da taxa de esforço para 45% nas novas concessões.
Novos contratos: 744 euros por mês
Quem contratou crédito nos últimos três meses sente o custo de forma mais direta. A prestação média nesses contratos é de 744 euros — muito acima dos 418 euros do conjunto. A diferença não é só de juros: reflete montantes financiados mais elevados (o stock de crédito habitação atingiu recordes) e prazos mais longos nos empréstimos recentes.
Porque é que os juros voltaram a subir
A explicação está na Euribor. Depois de meses de descida, o índice voltou a subir ao longo de 2026, pressionado pela inflação persistente na zona euro e pelo conflito no Médio Oriente, que voltou a empurrar os preços da energia. O Banco Central Europeu respondeu com subidas de 25 pontos base — a taxa de referência está nos 2,5% desde setembro — e a Euribor a 12 meses já está em 3,343%, o valor mais alto desde outubro de 2024.
Como cada contrato só é revisto no seu aniversário, o efeito nas prestações chega em diferido — e é por isso que a taxa implícita sobe mesmo quando a Euribor estabiliza, e vice-versa. Este ciclo de subidas já se nota há vários meses.
Há, contudo, uma mudança estrutural a acontecer do lado do crédito novo: os contratos a taxa mista já representam cerca de metade do crédito habitação contratado, sinal de que as famílias estão a trocar o risco da Euribor por uma prestação previsível durante os primeiros anos.
O que pode fazer com a sua prestação
- Verifique quando é a sua revisão. Nos contratos a Euribor a 12 meses a prestação é revista anualmente; à 6 meses, semestralmente. Saber a data exata é o primeiro passo para saber se a subida já chegou — ou ainda vai chegar;
- Compare propostas. A transferência do crédito para outro banco costuma ser o caminho mais rápido para baixar a prestação de contratos antigos com spread elevado, e comparar propostas não obriga a nada;
- Negocie o spread com o banco atual. Uma proposta escrita de outro banco é o argumento mais eficaz numa renegociação — e não tem custos;
- Confirme o impacto na taxa de esforço. Se está a pensar contratar crédito novo, a taxa de esforço é hoje o critério decisivo para a aprovação.
Perguntas frequentes
Quanto subiu a prestação média do crédito habitação em agosto de 2026? Ficou nos 418 euros: mais 4 euros do que em julho e mais 24 euros do que em agosto de 2025. Cerca de metade — 209 euros — corresponde a juros.
A minha prestação vai aumentar outra vez? Só saberá com certeza na data de revisão do seu contrato. Se a revisão anual se aproxima, a referência será a Euribor do mês anterior; enquanto esta se mantiver acima dos valores de 2025, há risco de nova subida.
O que é a taxa de juro implícita do INE? É a taxa média ponderada de todos os contratos de crédito habitação em vigor — não a taxa de um crédito novo. Serve para medir o custo médio do stock de crédito do país, incluindo os empréstimos antigos e mais baratos.
Estas taxas são as que o banco me vai oferecer num crédito novo? Não. Num crédito novo, o que conta é a Euribor do momento (ou a taxa fixa/mista proposta), o spread do banco, o prazo e os encargos associados. A taxa implícita do INE é um indicador macroeconómico.
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Fontes: INE — Estatísticas de crédito habitação e taxa de juro implícita, ECO — Taxa de juro no crédito à habitação sobe pelo quarto mês seguido para 3,162%, Público, Diário Imobiliário — Prestações da casa voltam a subir: novos contratos chegam aos 744 euros, Jornal PT50, Banco Central Europeu.
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