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- Euribor 12M (04/09)
- 3,108%
- Subida desde julho
- +0,190 pp
- Sessões acima dos 3%
- 5 consecutivas
- BCE decide
- 10 de setembro
A Euribor a 12 meses — a taxa de referência da maioria dos contratos de crédito habitação em Portugal — fixou-se em 3,108% na última sessão disponível, a 4 de setembro, o valor mais alto em cerca de dois anos. É a quinta sessão consecutiva acima dos 3%, numa semana em que o Banco Central Europeu (BCE) decide os juros: a reunião do conselho de governadores é quinta-feira, 10 de setembro, e o mercado antecipa a primeira subida desde o início do ciclo de cortes.
Os números a 4 de setembro
| Maturidade | 21/07 (último artigo) | 04/09 | Variação |
|---|---|---|---|
| 3 meses | 2,475% | 2,679% | +0,204 pp |
| 6 meses | 2,689% | 2,794% | +0,105 pp |
| 12 meses | 2,918% | 3,108% | +0,190 pp |
A série recente da Euribor a 12 meses mostra uma aceleração clara: 3,003% → 3,029% → 3,068% → 3,109% → 3,108% entre 31 de agosto e 4 de setembro — cinco sessões consecutivas acima dos 3%, algo que não se via desde 2024. Também a Euribor a 3 meses renovou máximos (2,679%, a subir há mais de dez sessões desde 2,524% a 24 de agosto) e a 6 meses aproxima-se do pico do ano (2,794%). Em julho, quando a taxa estava em 2,918%, tínhamos assinalado a inversão de tendência — a subida desde então já soma 0,190 pontos percentuais.
Porque é que os juros voltam a subir
A decisão do BCE desta quinta-feira é o grande evento da semana para quem tem crédito habitação. Depois de um longo ciclo de cortes, a expectativa dominante no mercado é a de uma subida — a primeira desde o início desse ciclo — com a inflação a teimar em ficar acima da meta: em Portugal, a inflação voltou a acelerar para 3,3% em agosto, pressionada pelos combustíveis, e o Expresso escreveu que as margens de refinação estão a ditar a subida dos preços.
O BCE tinha sinalizado em julho a possível subida em setembro. Ora, a Euribor antecipa as decisões de política monetária: os bancos precificam hoje o que esperam que seja a taxa de amanhã. Por isso, grande parte da subida já está “embutida” nas taxas antes de o BCE comunicar — o que significa que, mesmo que a decisão de quinta seja mais suave do que o esperado, as taxas de mercado dificilmente voltam aos mínimos do verão.
O impacto na prestação da casa
A título de exemplo, num empréstimo de 150.000 euros a 30 anos com spread de 0,9% (taxa total de 4,008% com a Euribor a 3,108%), a prestação ronda os 717 euros por mês. Com a Euribor de 21 de julho (2,918%), seria de cerca de 700 euros — ou seja, cerca de 17 euros por mês (mais de 200 euros por ano) só com esta subida. Face ao mínimo recente de 17 de julho (2,873%), o agravamento acumulado é de cerca de 20 euros mensais.
Quem tem taxa variável só sente a subida na data de revisão do contrato (anual, semestral ou trimestral, consoante o indexador e as condições escritas). Mas quem tem revisão nos próximos meses vai apanhar médias da Euribor que não eram vistas desde 2024 — e a taxa de esforço de 45% já apertou a margem de muitas famílias. Ainda assim, Portugal continua com dos juros do crédito habitação mais baixos da área euro.
O que pode fazer antes de quinta-feira
- Simular a prestação com a taxa atual — não espere pela carta do banco para saber quanto vai pagar. Use o simulador de crédito habitação com a Euribor a 3,108%.
- Rever o spread — com as taxas a subir, o spread faz ainda mais diferença: comparar o mercado pode poupar dezenas de euros por mês.
- Ponderar a taxa fixa ou mista — se prevê que os juros vão continuar a subir, fixar a prestação durante uns anos pode ser a proteção certa para o seu orçamento.
- Falar com um especialista — a decisão certa depende do seu contrato, do seu perfil e do momento da próxima revisão. Peça uma análise gratuita e veja as opções antes de o BCE decidir.
Fontes: Euribor-rates.eu, Banco Central Europeu — calendário, Correio da Manhã, Jornal de Negócios, ECO, Expresso