Revisto por Henrique Moreira Diretor e Cofundador Crédito Habitação
Publicado em
Atualizado em 5 min de leitura - Limite do Banco de Portugal
- 45%
- Em vigor desde
- 1 de agosto de 2026
- Stress test
- +1,5 p.p. na taxa de juro
- Cálculo
- Prestações ÷ rendimento líquido
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A taxa de esforço — ou DSTI (Debt Service to Income) — é a percentagem do rendimento líquido mensal do agregado que vai para prestações de crédito. Desde 1 de agosto de 2026, o Banco de Portugal recomenda que não ultrapasse 45%, calculada com a taxa de juro agravada em 1,5 pontos percentuais. É o primeiro filtro de qualquer pedido de crédito: se não passar aqui, o resto da análise nem chega a contar.
Exemplo: com 2.000 € líquidos por mês, o limite de 45% corresponde a 900 € de prestações — somando o crédito novo e os que já tem. Com o limite anterior de 50%, seriam 1.000 €.
O limite do Banco de Portugal
A Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026 do Banco de Portugal aplica-se a todos os novos créditos à habitação e ao consumo:
| Regra | Desde 1 de agosto de 2026 | Antes |
|---|---|---|
| Taxa de esforço máxima | 45% | 50% |
| Exceções por banco | 10% do montante concedido em cada semestre | até 15% dos contratos |
| Stress test | taxa de juro +1,5 p.p. | igual |
Como funciona o stress test: o banco calcula a prestação como se a taxa de juro fosse 1,5 pontos percentuais mais alta. Num empréstimo de 150.000 € a 30 anos, passar de uma TAN de 4% para 5,5% sobe a prestação de cerca de 716 € para 852 €. É esta prestação agravada que tem de caber nos 45%.
Como os bancos leem a sua taxa de esforço
| Taxa de esforço (com stress test) | Na prática |
|---|---|
| Até 30% | Confortável — aprovação provável e mais margem para negociar spread |
| 30% a 40% | Aceitável — análise mais detalhada |
| 40% a 45% | Perto do limite — pequenas alterações podem inviabilizar o pedido |
| Acima de 45% | Só como exceção, dentro da quota de 10% de cada banco |
O que conta como rendimento
- Trabalho dependente — salário líquido, subsídios e prémios regulares
- Trabalho independente — recibos verdes, normalmente com um desconto de prudência aplicado pelo banco; veja comprar casa com rendimentos variáveis
- Rendas de imóveis — declaradas no IRS; veja rendas como rendimento no crédito habitação
- Pensões — velhice, invalidez ou sobrevivência
O que conta como dívida
| Tipo de crédito | Como entra no cálculo |
|---|---|
| Crédito habitação | Prestação do novo crédito (com stress test) e de créditos existentes |
| Crédito automóvel e pessoal | Prestação mensal atual |
| Cartões de crédito | Prestação implícita sobre o plafond, mesmo sem utilização |
| Outros créditos | Obras, lojas, créditos consolidados |
Renda de casa, alimentação, transportes e contas da casa não entram na fórmula, mas o banco verifica se sobra rendimento suficiente para viver.
Exemplos de cálculo
- Rendimento líquido: 3.000 €/mês
- Crédito automóvel: 250 €/mês
- Prestação do crédito habitação com stress test: 850 €/mês
- Taxa de esforço: (250 + 850) ÷ 3.000 × 100 = 36,7% — aceitável ✅
- Rendimento líquido: 1.500 €/mês
- Cartão de crédito (prestação implícita): 60 €/mês
- Prestação do crédito habitação com stress test: 650 €/mês
- Taxa de esforço: (60 + 650) ÷ 1.500 × 100 = 47,3% — acima do limite ⚠️
Cancelar o cartão e alongar o prazo para 40 anos pode ser suficiente para descer abaixo dos 45%.
Como baixar a taxa de esforço
- Liquide ou amortize outros créditos — cada prestação eliminada sai diretamente da fórmula
- Cancele ou reduza cartões que não usa — o plafond conta como dívida potencial
- Aumente a entrada — menos capital, prestação mais baixa
- Alongue o prazo — reduz a prestação, mas aumenta os juros totais
- Junte um segundo titular ou fiador — veja as responsabilidades no guia caução, fiador e recibos de renda
- Consolide créditos — uma só prestação, normalmente mais baixa
Calcular a taxa de esforço antes de fazer proposta por uma casa evita surpresas e mostra-lhe quanto pode pedir emprestado. Veja também as regras do crédito habitação em 2026 e quanto pode poupar ao comparar bancos.
Fontes: Banco de Portugal — Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026, Banco de Portugal — comunicado sobre a revisão da recomendação, Portal do Cliente Bancário — crédito à habitação