Crédito Habitação

Rendas como rendimento no crédito habitação: a regra dos 80%

Os bancos consideram as rendas de arrendamento como rendimento no crédito habitação, mas só até 70-80% do valor. Veja como funciona a regra e o que conta.

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Crédito Habitação · 4 min de leitura · 16 de agosto de 2026
Ficha rápida
Renda considerada
70%–80% do valor
Desconto da banca
Haircut de 20–30%
Limite DSTI
45% (ago/2026)
Prova
Recibos + IRS (anexo F)

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Quando pede um crédito habitação, o banco analisa a sua capacidade de pagamento — e uma das perguntas mais comuns de quem tem imóveis arrendados é: as rendas contam como rendimento? A resposta é sim, mas não pelo valor integral. Os bancos aplicam um desconto de 20% a 30% sobre o valor das rendas, numa regra prática conhecida como “regra dos 80%”.

Na prática: Se recebe 1.000 €/mês de renda, o banco conta apenas com 700 a 800 € como rendimento para efeitos de análise de risco. Este desconto cobre os custos que o senhorio tem de suportar — IMI, condomínio, seguros, manutenção e períodos em que o imóvel está desocupado.

Porque é que os bancos descontam 20-30%

O desconto não é arbitrário: reflete os custos reais de ser senhorio. O valor da renda não é rendimento líquido — parte dele é consumido por:

  • IMI e AIMI — o imposto municipal sobre o imóvel (e o Adicional ao IMI se o património total ultrapassar 600.000 €)
  • Condomínio e seguros — despesas fixas mensais ou anuais
  • Manutenção e reparações — obras, avarias, eletrodomésticos
  • Períodos de desocupação — meses sem inquilino entre contratos
  • Risco de incumprimento — rendas em atraso ou não pagas

Ao descontar 20-30% do valor bruto, o banco estima o rendimento líquido previsível — e é esse valor que entra na taxa de esforço.

Como funciona na prática

Já tem imóveis arrendados

  • Renda recebida: 1.000 €/mês
  • Rendimento considerado: 700–800 € (haircut 20–30%)
  • Prova: recibos de renda eletrónicos + IRS (anexo F)
  • Entra no cálculo da taxa de esforço do novo crédito
  • Efeito: aumenta a capacidade de pedir empréstimo

Vai comprar para arrendar

  • Renda projetada: 1.000 €/mês (avaliação de mercado)
  • Rendimento considerado: 700–800 € (mesmo haircut)
  • Prova: contrato de arrendamento ou avaliação do valor de renda
  • LTV máximo: 80% (entrada de 20%+)
  • Efeito: renda deve cobrir a prestação + custos

O que conta como prova

Para que as rendas sejam consideradas rendimento, precisa de documentar que são reais, estáveis e declaradas:

  • Recibos de renda eletrónicos — Emitidos no portal das Finanças, são a prova principal. Rendas pagas em dinheiro sem recibo não contam.
  • Contrato de arrendamento — Celebra o valor, a duração e as condições. Contratos com mais de 2 anos dão mais confiança ao banco.
  • Declaração de IRS (anexo F) — Mostra que as rendas são declaradas. Declarar rendas no IRS também tem implicações fiscais.
  • Movimentos bancários — Depósitos mensais regulares da renda na conta reforçam a prova da estabilidade.
  • Avaliação do valor de renda — Para rendas futuras (imóvel a comprar), um estudo de mercado ou contrato já assinado.

O limite da taxa de esforço (45%)

Desde agosto de 2026, o Banco de Portugal limitou a taxa de esforço a 45% do rendimento líquido para novos contratos de crédito habitação. As rendas (após o desconto) entram no numerador como rendimento — o que pode ser decisivo para encaixar a prestação no limite.

Exemplo: rendimento do trabalho de 2.000 €/mês + renda de 1.000 € (considerada a 800 €). Rendimento total para DSTI: 2.800 €. Com o limite de 45%, a prestação máxima seria de 1.260 € — contra 900 € sem as rendas.

Cuidados a ter

  • Não declare mais do que recebe — os bancos cruzam informação com as Finanças
  • Contratos recentes valem menos — um contrato com 1-2 anos de histórico tem menos peso
  • Rendas futuras exigem realismo — o banco pode exigir avaliação de mercado para imóveis a comprar
  • O haircut varia por banco — alguns consideram 75%, outros 80%; compare propostas de vários bancos antes de decidir
Quer saber quanto pode pedir com as suas rendas? Um intermediário de crédito autorizado ajuda a preparar a documentação e a escolher o banco com o tratamento mais favorável. Peça uma simulação gratuita.

Leia também: Comprar casa para arrendar: guia completo · Taxa de esforço: como calcular · Como provar rendimentos · Quanto posso pedir emprestado

Fontes:

  • Prática da banca portuguesa no financiamento a imóveis de arrendamento (LTV 80%, haircut 20-30% na renda)
  • Banco de Portugal — Recomendação sobre taxa de esforço (45%, em vigor agosto 2026)
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