Financial Options
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- Stock (julho)
- 118 mil M€
- Crescimento homólogo
- +11%
- Subida só em julho
- +1,22 mil M€
- Ritmo
- maior desde 2003
O stock de crédito à habitação — o valor total em dívida das famílias portuguesas aos bancos — chegou aos 118 mil milhões de euros em julho, o valor mais alto em 20 anos, segundo os dados do Banco de Portugal (BdP) divulgados a 27 de agosto. A carteira cresceu 11% em termos homólogos, o ritmo mais forte desde 2003, e soma 1,22 mil milhões de euros apenas no mês de julho.
O novo máximo completa o retrato de um mercado a aquecer por todos os lados: o mês de julho tinha já trazido o recorde de novos empréstimos (2,3 mil milhões) e o stock acumulado confirma que a aceleração não é um pico pontual — é uma tendência que se arrasta há mais de um ano.
De 115,7 para 118 mil milhões: o ritmo acelera
Em maio, o stock estava em 115,7 mil milhões de euros, a crescer 10,8% em termos homólogos — como explicámos no artigo sobre o stock recorde de maio. Dois meses depois, o ritmo passou de 10,8% para 11% e o valor total aproxima-se dos 118 mil milhões, o que representa:
- +1,22 mil milhões de euros só entre junho e julho;
- +17,3 mil milhões desde a chegada da garantia pública para jovens compradores, como noticiou o Público — um impulso que o BdP reconhece como um dos motores da procura;
- o maior ritmo de crescimento anual desde fevereiro de 2003, segundo Correio da Manhã e Jornal de Negócios.
Porque é que o crédito continua a acelerar
A procura de crédito habitação mantém-se forte por uma combinação de fatores:
- Preços das casas em máximos — com a avaliação bancária acima dos 2.200 €/m², comprar a mesma casa exige financiamento maior;
- A garantia pública para jovens — o programa que dispensa entrada até 15% do valor está a esgotar o fundo e o governador do BdP já avisou para o risco de endividamento jovem;
- Taxas ainda baixas face à Europa — os juros do crédito habitação em Portugal continuam entre os mais baixos da área euro, mesmo com a Euribor em máximos de dois anos;
- Antecipação das regras mais apertadas — parte da procura de julho refletiu a corrida antes de as novas recomendações do BdP — taxa de esforço limitada a 45% — terem entrado em vigor a 1 de agosto.
O que significa para quem vai pedir crédito
- A aprovação está mais exigente. Com a taxa de esforço nos 45% e a Euribor em terreno de subida — o BCE reúne esta quinta-feira, 10 de setembro —, cada detalhe conta: simule o cenário completo antes de avançar.
- A concorrência entre bancos continua. Num mercado com tanta procura, comparar propostas — spread, comissões, seguros associados — pode valer dezenas de milhares de euros ao longo do contrato.
- O momento importa. Os dados de agosto — já com as regras do BdP em vigor — só são divulgados no fim de setembro e vão mostrar se a máquina de crédito arrefeceu ou se o máximo de julho foi apenas mais um degrau.
Fontes: Banco de Portugal, Correio da Manhã, Jornal de Negócios, Jornal Económico, Expresso, Público