Financial Options
Autor
- Novos empréstimos (julho)
- 2,3 mil M€ — recorde
- Fonte
- BdP, release de 02/09
- Regras novas em vigor
- desde 01/08 (taxa esforço 45%)
- Dados de agosto
- divulgação no fim de setembro
A banca portuguesa concedeu 2,3 mil milhões de euros em novos créditos à habitação em julho — o valor mensal mais alto de sempre, segundo os dados do Banco de Portugal (BdP) divulgados a 2 de setembro. O recorde chega no último mês completo antes de as novas regras de concessão, mais apertadas, terem entrado em vigor a 1 de agosto — e os primeiros sinais de agosto indicam que a procura “resistiu ao travão”, como noticiaram ECO e Dinheiro Vivo a 4 de setembro, ainda que os números oficiais só sejam conhecidos no fim deste mês.
Um recorde antes do “travão” do BdP
O valor de julho supera o anterior máximo da série mensal de novos empréstimos e confirma a dinâmica que já se via no stock total de crédito habitação, que cresce às taxas mais altas desde 2003. Vários fatores explicam o apetite das famílias:
- Preços das casas em máximos — com a avaliação bancária acima dos 2.200 €/m², o mesmo imóvel exige um financiamento maior;
- Juros ainda contidos apesar da subida recente — Portugal tem dos juros do crédito habitação mais baixos da área euro;
- Efeito de antecipação — o Público notou que julho foi, na prática, uma corrida antes de o “pequeno travão” do BdP apertar a taxa de esforço das famílias.
As novas regras do BdP (em vigor desde 1 de agosto)
O enquadramento que mudou a 1 de agosto está explicado em detalhe no nosso artigo sobre a taxa de esforço de 45%: o limite recomendado desceu de 50% para 45% do rendimento líquido, a margem de exceção dos bancos foi reduzida e os prazos e limites do crédito ao consumo também apertaram. Os bancos chegaram a prever uma quebra superior a 10% na produção de novo crédito com as novas regras.
Ainda assim, os primeiros indicadores de agosto sugerem que a procura não arrefeceu de imediato. Para os jovens até 35 anos, o BdP criou um contrapeso à regra mais apertada — prazo máximo de 40 anos — mas a taxa de esforço real deste segmento continua a subir, num mercado em que as rendas também vão aumentar. Os dados oficiais de agosto serão divulgados pelo BdP no final de setembro e dirão se o recorde de julho foi um pico pontual ou o início de um patamar novo.
O que isto significa para quem vai pedir crédito
- A aprovação ficou mais exigente — com a taxa de esforço em 45%, cada euro de rendimento conta: simule antes de avançar e veja quanto pode pedir sem apertar o orçamento.
- A concorrência entre bancos mantém-se — com os bancos a tentarem manter o volume de negócio, comparar propostas (spread, comissões, seguros) pode valer mais de 10.000 euros ao longo do contrato.
- Os prazos contam — se está a pensar comprar casa, lembre-se de que a procura forte mantém os preços pressionados; simular o cenário completo, com renda atual e prestação futura, ajuda a decidir sem precipitação.
Fontes: Banco de Portugal, Expresso, Dinheiro Vivo, Jornal de Negócios, ECO, Público