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As novas regras do Banco de Portugal (BdP) na concessão de crédito, em vigor desde 1 de agosto, deverão provocar uma quebra na produção de novo crédito habitação — e os principais bancos portugueses já avançaram estimativas concretas. A Caixa Geral de Depósitos (CGD) admite um impacto “à volta de 10%”, o BPI fala em mais de 10% e o BCP aponta para cerca de 5%.
O que dizem os bancos
Nas conferências de imprensa de apresentação dos resultados semestrais, os presidentes dos três maiores bancos foram questionados sobre o impacto das novas regras do BdP:
- CGD (Paulo Macedo): “Poderemos ter algum impacto à volta de 10% no crédito.”
- BPI (João Pedro Oliveira e Costa): o impacto “ultrapassará os 10% na contratação”.
- BCP (Miguel Maya): estima um impacto “em torno de 5%” na produção de crédito à habitação própria e permanente.
As estimativas refletem o aperto introduzido pelas novas diretrizes do regulador, que substituem as anteriores de 2018 e limitam a taxa de esforço a 45% do rendimento líquido, contra os 50% anteriores. Para saber como o limite é calculado, veja o que é a taxa de esforço e como calculá-la passo a passo.
O que significa na prática
Uma quebra de 10% na produção de novo crédito não significa que o crédito desaparece — significa que os bancos vão aprovar menos operações e, sobretudo, ser mais seletivos. Na prática, para quem vai pedir crédito:
- Rendimentos e despesas contam mais: o limite de 45% da taxa de esforço é calculado sobre o rendimento líquido, num cenário de stress com agravamento das taxas de juro em 1,5 pontos percentuais.
- A margem de exceção é menor: apenas 10% dos novos contratos podem ultrapassar o limite recomendado (era 15%).
- Avaliação mais exigente: os bancos vão cruzar todos os créditos do cliente — habitação, automóvel, pessoal, cartões — antes de decidir.
Isto acontece num momento em que o stock de crédito habitação atinge máximos históricos, a avaliação bancária das casas supera os 2.200 €/m² e os juros do crédito habitação subiram para 3,1% em junho.
O que pode fazer
Se está a pensar pedir crédito, prepare o processo com margem: reúna comprovativos de rendimento, reduza créditos ao consumo sempre que possível e simule com a nova taxa de esforço de 45% antes de avançar. Quem já tem crédito pode também aproveitar para renegociar ou transferir o empréstimo enquanto as condições de mercado ainda são competitivas.
Peça já a sua simulação gratuita e descubra quanto pode financiar com as novas regras.
Fontes: Observador/Lusa, idealista/news, Diário Imobiliário, Banco de Portugal