Jovem casal a receber as chaves da primeira casa

Apoio Jovem · 2026/2027

Garantia Pública Jovem: Comprar Casa Sem Entrada

O Estado serve de fiador e o banco financia até 100% do valor da casa. Veja se cumpre os requisitos, o que está em vigor em 2026 e o que o Orçamento do Estado para 2027 já decidiu.

Intermediário de crédito registado no Banco de Portugal

Financiamento

até 100%

Valor do imóvel

até 450.000 €

Rendimentos

até 86.634 €

Idade

até 35 anos

O que é a garantia pública do Estado

A garantia pública é o mecanismo que permite ao Estado português servir de fiador de um jovem na compra da primeira casa. O Estado garante até 15% do valor do imóvel, o que reduz o risco do banco e lhe permite financiar até 100% da compra. Na prática, elimina a necessidade dos 10% a 20% de entrada que os bancos normalmente exigem — historicamente o maior obstáculo para quem está a entrar no mercado de trabalho e ainda não teve tempo de poupar.

O regime foi criado pelo Decreto-Lei n.º 44/2024 e aplica-se a contratos de crédito à habitação para aquisição de primeira habitação própria e permanente. Não abrange crédito para construção, nem segunda habitação, nem investimento para arrendamento.

Estado atual — outubro de 2026

A garantia pública está muito utilizada: a 2 de setembro de 2026 os bancos já tinham pedido 92,8% do montante disponível, e o Governo reforçou o programa com mais 100 milhões de euros (Novobanco e Banco Montepio). O regime aplica-se a contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026.

A proposta de Orçamento do Estado para 2027, apresentada a 8 de outubro de 2026, prevê a continuidade da garantia pública e das isenções de IMT e de Imposto do Selo em 2027, mas a decisão final ainda não foi formalmente tomada. As responsabilidades do Estado com estas garantias passaram de 449,4 milhões de euros no final de 2025 para cerca de 926 milhões em maio de 2026.

Requisitos para aceder à garantia pública

Para que o Estado aceite ser fiador, o comprador tem de reunir todas estas condições:

  • ✓Idade: até 35 anos, inclusive, no momento da escritura.
  • ✓Rendimentos coletáveis: até 86.634 € por ano (8.º escalão do IRS em 2026). Não há limite de rendimento mínimo.
  • ✓Finalidade: primeira habitação própria e permanente, com residência efetiva.
  • ✓Património: não ser proprietário (total ou parcial) de outro imóvel habitacional, nem ter sido nos últimos três anos.
  • ✓Valor do imóvel: até 450.000 €.
  • ✓Taxa de esforço: até 45%, com o stress test da subida de juros aplicado pelo banco.
  • ✓Não depende de ser dependente: o comprador não pode ser considerado dependente para efeitos de IRS.

Não existe exigência legal de contrato sem termo, mas o banco avalia a estabilidade do rendimento. Se estiver em contrato a termo, recibos verdes ou se o rendimento vier do estrangeiro, é possível — só precisa de ser bem documentado. Veja o guia de como o banco avalia o seu rendimento.

Quanto custa comprar sem entrada

Numa casa de 250.000 euros, a 40 anos e com uma taxa de exemplo de 4,32% (Euribor 12M a 3,323% mais um diferencial de 1,0%), a diferença entre usar ou não a garantia do Estado é esta:

Com garantia pública — 100% financiado

  • Entrada necessária: 0 €
  • Empréstimo: 250.000 €
  • Prestação mensal: ≈1.096 €
  • Juros totais (40 anos): ≈275.900 €
  • IMT + Imposto do Selo: 0 € (isenção jovem)

Sem garantia — entrada de 10%

  • Entrada necessária: 25.000 €
  • Empréstimo: 225.000 €
  • Prestação mensal: ≈986 €
  • Juros totais (40 anos): ≈248.300 €
  • IMT + Imposto do Selo: 0 € (isenção jovem)

A leitura honesta: financiar 100% custa cerca de 110 € mais por mês e mais juros ao longo da vida do empréstimo, porque o capital em dívida é maior. O ganho está no acesso — não ter de esperar anos a poupar 25.000 €, com o mercado a subir. Faça as suas contas com o simulador de crédito jovem ou com o simulador de crédito habitação. Os valores acima são indicativos e dependem da proposta aprovada.

Isenção de IMT e de Imposto do Selo: o segundo apoio

A garantia pública é apenas metade do pacote. Jovens até aos 35 anos beneficiam também de isenção total de IMT e de Imposto do Selo na compra de imóveis até 330.539 € (isenção parcial até 660.982 €). A proposta de OE2027 sobe estes limites para 338.141 € e 676.185 €.

Num imóvel de 200.000 euros, a isenção poupa cerca de 5.142 € em impostos da compra; num imóvel de 250.000 euros, cerca de 9.042 €. O detalhe completo está no guia da isenção de IMT e Imposto do Selo para jovens e o cálculo pode ser feito no simulador de IMT.

Vantagens e desvantagens

A favor

  • Comprar casa sem entrada inicial
  • Acumulável com a isenção de IMT e de Imposto do Selo
  • Não há comissão de garantia paga pelo jovem
  • A garantia mantém-se em caso de venda ou transferência do crédito
  • Entra no mercado antes de novas subidas de preço

A ponderar

  • Empréstimo maior em capital → mais juros totais
  • Prestação mensal mais alta do que com entrada
  • Limitado a jovens até 35 anos
  • Plafond atribuído por banco — pode esgotar-se
  • Só para primeira habitação própria e permanente

Há quem defenda que a medida aqueceu ainda mais os preços. É um debate legítimo, mas não muda a decisão prática de quem já está a comprar: com garantia, o mesmo rendimento permite aceder a uma casa melhor, mais cedo. Alargar o prazo para 40 anos foi permitido na mesma lógica de reduzir a prestação mensal — saiba quanto pode pedir emprestado no seu caso.

Como pedir a garantia pública

A garantia não é pedida ao Estado: é o banco que adere ao regime e a submete. O processo, com um intermediário de crédito, é este:

  1. Simulação gratuita e análise do perfil (idade, rendimentos, património, estabilidade).
  2. Confirmação da elegibilidade para a garantia pública e para a isenção de IMT e de Imposto do Selo.
  3. Pedido de propostas aos bancos que têm plafond disponível no momento da submissão.
  4. Documentação — a mesma de qualquer crédito habitação: IRS, recibos de vencimento, extratos, contrato de trabalho.
  5. Aprovação, avaliação do imóvel e escritura, com acompanhamento até ao fim.

Um detalhe que faz diferença: o plafond é pedido pelo banco, não pelo cliente, e cada banco tem uma fatia limitada. Escolher o banco certo no momento certo é, aqui, tão importante como negociar o diferencial. É isso que fazemos por si — sem custos, porque somos pagos pelos bancos.

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Perguntas frequentes

O que é a garantia pública do Estado para jovens?

É um regime criado pelo Decreto-Lei n.º 44/2024 em que o Estado funciona como fiador do crédito à habitação de jovens até aos 35 anos. O Estado garante até 15% do valor do imóvel, o que permite ao banco financiar até 100% da compra — ou seja, o jovem não precisa de ter os 10% a 20% de entrada que os bancos exigem habitualmente.

Até quando posso pedir a garantia pública?

O regime atual aplica-se a contratos de crédito à habitação celebrados até 31 de dezembro de 2026. A proposta de Orçamento do Estado para 2027, apresentada a 8 de outubro de 2026, prevê a continuidade da garantia pública e das isenções de IMT e de Imposto do Selo para os jovens, mas a decisão final ainda não foi formalmente tomada.

Quem pode beneficiar da garantia pública?

Jovens até aos 35 anos (inclusive), que comprem a primeira habitação própria e permanente, não sejam proprietários de outro imóvel habitacional (nem tenham sido nos últimos três anos) e tenham rendimentos coletáveis até 86.634 euros — o equivalente ao 8.º escalão do IRS em 2026. Não é exigido tipo de contrato de trabalho, mas o banco avalia a estabilidade e a taxa de esforço.

Qual é o valor máximo da casa com garantia do Estado?

A garantia pública só se aplica a imóveis com preço até 450.000 euros. Também só abrange contratos de crédito para aquisição de habitação: não cobre crédito para construção de casa.

Posso comprar casa sem dar entrada nenhuma?

Com a garantia do Estado, sim. O banco pode financiar 100% do valor da compra, pelo que não é necessário ter poupanças para a entrada. Continuam a existir custos que deve suportar, como o Imposto do Selo de 0,6% sobre o empréstimo, a escritura, o registo e a avaliação bancária — e os bancos mantêm a análise da taxa de esforço (máximo 45% com stress test).

A garantia pública é acumulável com a isenção de IMT e de Imposto do Selo?

Sim. Os jovens até aos 35 anos podem beneficiar simultaneamente da garantia pública e da isenção de IMT e de Imposto do Selo na compra da primeira habitação própria e permanente. Num imóvel de 200.000 euros, a isenção poupa cerca de 5.142 euros em impostos. As isenções já beneficiaram quase 120 mil jovens, com um valor médio de aquisição de 200 mil euros.

A casa comprada com garantia do Estado pode ser vendida ou o crédito transferido?

Sim. A venda do imóvel ou a transferência do crédito para outro banco não fazem perder a garantia nem obrigam a devolver o apoio. A transferência mantém a garantia associada ao contrato, desde que o novo banco aceite o regime.

O banco pode cobrar uma comissão pelo acesso à garantia do Estado?

A garantia pública não tem custo para o jovem nem para o banco: o Estado assume o papel de fiador sem comissão de garantia. Continua a haver lugar às comissões normais do crédito habitação (avaliação, dossier, manutenção de conta), que devem ser sempre comparadas entre propostas.

O que acontece se deixar de pagar as prestações?

A garantia cobre o banco, não o jovem. Se houver incumprimento, o banco executa a garantia junto do Estado pela parte garantida (até 15% do valor do imóvel) e mantém a cobrança do restante ao mutuário, com os juros de mora e as despesas associadas. A garantia é um mecanismo de acesso ao crédito, não um seguro de pagamento.

Ainda há plafond disponível em 2026?

Sim, mas está muito utilizado. A 2 de setembro de 2026 os bancos já tinham pedido 92,8% da garantia pública disponível para crédito à habitação jovem e o Governo reforçou o programa com mais 100 milhões de euros. Quem quer usar a garantia em 2026 deve avançar cedo, porque o limite é atribuído por banco e pode esgotar-se antes do final do ano.

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