57% do crédito habitação passa por intermediários: Portugal é 4.º na Europa

57% do crédito habitação passa por intermediários: Portugal é 4.º na Europa

Mais de metade do crédito habitação em Portugal passa por intermediários: 57%, o 4.º valor mais alto entre 10 mercados europeus. O que dizem a FECIF e o BdP.

Intermediários de Crédito Crédito Habitação Banco de Portugal FECIF Europa
Henrique Moreira Revisto por Henrique Moreira Diretor e Cofundador Publicado em 5 min de leitura
Ficha rápida
Quota em Portugal (FECIF)
57%
Posição em 10 mercados
4.º
Montante intermediado 2025 (BdP)
~14,8 mil M€
Crédito ao consumo (BdP)
50,6%

Mais de metade do crédito habitação em Portugal já passa por um intermediário de crédito. Segundo um inquérito da Federação Europeia de Consultores Financeiros e Intermediários Financeiros (FECIF), publicado a 30 de setembro de 2026 e noticiado pelo ECO, a quota dos intermediários nos empréstimos para compra de casa em Portugal é de 57% — o quarto valor mais alto entre os dez mercados europeus analisados.

Os números do Banco de Portugal, recolhidos com outra metodologia, apontam no mesmo sentido: em 2025, os intermediários intervieram em 57% do montante de crédito à habitação e hipotecário concedido, cerca de 14,8 mil milhões de euros.

Portugal entre os países que mais usam intermediários

PaísQuota dos intermediários no crédito à habitação
Reino Unido87%
Polónia70%
Eslováquia60%
Portugal57%

Fonte: inquérito FECIF a dez mercados europeus (setembro de 2026), segundo o ECO.

No crédito ao consumo sem garantia, a FECIF estima a quota portuguesa em 22%, também a quarta mais alta. A federação não detalha como calculou este valor nem que produtos inclui, pelo que a comparação deve ser lida com cautela.

As respostas foram recolhidas junto de associações nacionais do setor entre março e maio de 2026. A ANICA — Associação Nacional de Intermediários de Crédito Autorizados — tornou-se membro da FECIF a 23 de setembro.

O que dizem os números do Banco de Portugal

O Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito de 2025 confirma o peso dos intermediários e mostra que o mercado cresceu muito:

  • Crédito à habitação em 2025: 133.602 novos contratos (+11,5% face a 2024) e cerca de 23,4 mil milhões de euros concedidos (+34,9%). Destes, 21,3% do montante beneficiou da garantia pública para jovens;
  • Peso dos intermediários: 57% do montante, igual a 2024 — mas, com o mercado a crescer, o valor intermediado passou de 11,5 para 14,8 mil milhões de euros;
  • Crédito aos consumidores: pela primeira vez desde 2018, os intermediários tornaram-se o principal canal, com 50,6% do montante concedido. No crédito automóvel, a quota é de 82,6%.

Para o Banco de Portugal, há intervenção de um intermediário sempre que este participa em qualquer fase da contratação — da simulação à escritura.

Porque é que os portugueses recorrem a intermediários

O inquérito não pergunta aos consumidores porque escolhem este canal, mas o contexto ajuda a explicar. Com os preços das casas a subir, o crédito médio mais alto e as regras do Banco de Portugal mais apertadas desde agosto, cada décima de spread e cada seguro pesam mais na prestação. Comparar propostas de vários bancos, com a documentação preparada uma só vez, tornou-se uma forma de ganhar tempo e margem negocial — as vantagens de usar um intermediário resumem-se, em grande parte, a isso.

A FECIF assinala também o que ainda falta em Portugal:

  • Digitalização incompleta: é possível comparar ofertas, submeter o pedido e acompanhar o processo por via digital, mas não existe pré-aprovação vinculativa digital;
  • Sem acesso direto a registos públicos: os intermediários portugueses não acedem diretamente aos registos de crédito, predial, fiscal ou de identificação, o que obriga a pedir os mesmos documentos várias vezes;
  • Outras dificuldades: encargos de reporte, integração fragmentada com os bancos e falta de formação contínua.

As conclusões vão servir de base às propostas da FECIF para uma eventual revisão da Diretiva do Crédito Hipotecário europeia.

Como escolher um intermediário de crédito

Um mercado em que mais de metade do crédito passa por intermediários também atrai quem não cumpre as regras. Antes de entregar documentos:

  1. Confirme o registo no Banco de Portugal. Todos os intermediários legais têm número de registo público — veja como saber se um intermediário está autorizado.
  2. Perceba que tipo de intermediário é. Um intermediário vinculado trabalha com bancos específicos, com ou sem exclusividade; pergunte com quantos bancos tem contrato. As diferenças estão explicadas em intermediário vinculado, não vinculado e a título acessório.
  3. Não pague adiantado. O intermediário vinculado é remunerado pelo banco, e o Banco de Portugal já alertou que os intermediários não podem receber valores dos consumidores.
  4. Exija a FINE de cada proposta. A Ficha de Informação Normalizada Europeia é o documento que permite comparar propostas de crédito habitação em pé de igualdade.

Transparência: a Financial Options é um intermediário de crédito vinculado, sem exclusividade, registado no Banco de Portugal sob o n.º 0007198, e é remunerada pelos bancos parceiros — nunca pelo cliente.

Em resumo

  • 57% do crédito habitação em Portugal passa por intermediários — 4.º lugar em dez mercados europeus, segundo a FECIF;
  • O Banco de Portugal confirma: 57% do montante em 2025, cerca de 14,8 mil milhões de euros, num mercado que cresceu 34,9%;
  • No crédito ao consumo, os intermediários passaram a ser o principal canal (50,6%);
  • Antes de escolher um intermediário, confirme o registo, o tipo de vinculação e nunca pague adiantado.

Se está a pensar comprar casa ou mudar o crédito para outro banco, pode simular a prestação ou pedir uma análise gratuita — comparamos propostas de 12 bancos parceiros.

Fontes: Banco de Portugal — Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito 2025, ECO — “Portugal é dos países europeus que mais recorre à intermediação no crédito à habitação” (30/09/2026), FECIF

Tags: Intermediários de Crédito Crédito Habitação Banco de Portugal FECIF Europa
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