- Prazo máximo habitual
- 120 meses (10 anos)
- 20.000 € a 120 meses (TAEG 10%)
- 264,30 €/mês
- Juros totais nesse cenário
- 11.716 € (58% do capital)
- TAEG máxima (BdP, 4.º tri. 2026)
- 15,0%
Um crédito consolidado a 120 meses é um prazo de dez anos. É o prazo máximo mais comum no crédito pessoal consolidado, e a razão para o escolher é simples: quanto mais longo o prazo, mais baixa a prestação mensal. O problema é o outro lado da mesma moeda.
Resposta curta: 120 meses é o prazo máximo habitual de um consolidado sem garantia. Baixa a prestação de forma evidente — 20.000 € a uma TAEG de 10% passam de 424,94 €/mês em 60 meses para 264,30 €/mês em 120 meses — mas o total de juros quase duplica: de 5.496 € para 11.716 €. Só compensa quando a folga mensal é mesmo necessária e o custo total é aceite de olhos abertos.
Qual é o prazo máximo do crédito consolidado?
Não existe um número fixado por lei para o prazo do crédito consolidado; o que existe é a prática do mercado. Na maioria das instituições, o prazo máximo sem garantia vai até 120 meses (10 anos), e muitos credores ficam-se pelos 84 meses. Prazos de 120 meses aparecem sobretudo em operações de valor mais alto, com vários créditos agregados.
O prazo tem ainda dois travões práticos:
- A idade no fim do contrato. A generalidade dos credores exige que a operação termine antes dos 70–75 anos do titular, o que encurta o prazo disponível para quem já está perto dessa idade.
- O custo total. O credor pode aceitar 120 meses e o cliente preferir 84: a diferença de juros é quase sempre o argumento decisivo.
| Tipo de operação | Prazo máximo habitual | Garantia |
|---|---|---|
| Crédito pessoal consolidado | 84 a 120 meses | Sem garantia |
| Crédito consolidado com hipoteca | Prazo de crédito habitação (até 40 anos) | Imóvel |
Quanto fica a prestação de um consolidado a 120 meses?
As contas abaixo usam uma TAEG de 10% — um valor intermédio para crédito pessoal consolidado — e prestação constante (amortização francesa). Servem para comparar cenários, não substituem uma proposta real: cada credor aplica os seus spreads, comissões e seguros.
| Capital | Prestação a 120 meses | Total pago | Juros |
|---|---|---|---|
| 10.000 € | 132,15 €/mês | 15.858 € | 5.858 € |
| 15.000 € | 198,23 €/mês | 23.787 € | 8.787 € |
| 20.000 € | 264,30 €/mês | 31.716 € | 11.716 € |
| 30.000 € | 396,45 €/mês | 47.574 € | 17.574 € |
Repare no rácio: nos 20.000 €, os juros valem 58% do capital emprestado. O prazo de dez anos é o que produz esse efeito — não a taxa.
O que muda se encurtar o prazo?
A mesma dívida de 20.000 € a uma TAEG de 10%, com quatro prazos diferentes:
| Prazo | Prestação | Juros totais | Diferença face a 120 meses |
|---|---|---|---|
| 48 meses | 507,25 €/mês | 4.348 € | −7.368 € |
| 60 meses | 424,94 €/mês | 5.496 € | −6.220 € |
| 84 meses | 332,02 €/mês | 7.890 € | −3.826 € |
| 120 meses | 264,30 €/mês | 11.716 € | — |
Cada mês a mais no prazo alivia a prestação e agrava o custo total. A pergunta útil não é “qual é a prestação mais baixa?”, mas sim “a prestação mais alta em que consigo viver com folga?” — essa é a que paga menos juros.
Que taxa se aplica? O limite legal em 2026
O custo não depende só do prazo. A TAEG do consolidado está limitada pela taxa máxima fixada pelo Banco de Portugal por trimestre. No 4.º trimestre de 2026, para os «outros créditos pessoais» — categoria que inclui o crédito consolidado — o teto é de 15,0%.
O efeito da taxa na mesma operação de 20.000 € a 120 meses:
| TAEG | Prestação | Juros totais |
|---|---|---|
| 8% | 242,66 €/mês | 9.119 € |
| 10% | 264,30 €/mês | 11.716 € |
| 12% | 286,94 €/mês | 14.433 € |
| 15% (limite do trimestre) | 322,67 €/mês | 18.720 € |
Entre a taxa mais favorável e o limite legal, a mesma dívida custa quase 10.000 € mais em juros. É por isso que comparar propostas de vários credores — e não só a prestação, mas a TAEG — é a parte do processo que mais dinheiro poupa. A referência do mercado está nos 8,98% de taxa média no crédito ao consumo (Banco de Portugal, agosto de 2026), mas essa média esconde ofertas bem mais caras.
A taxa de esforço: o que o credor avalia
Antes de contratar, o credor é obrigado a avaliar a sua solvabilidade (Decreto-Lei n.º 133/2009). Na prática, olha para o rendimento líquido disponível, para as prestações que já tem e para a taxa de esforço que resulta da nova operação.
Esticar o prazo é a forma mais rápida de fazer caber a prestação nesse cálculo — e é exatamente aí que está o risco: passar no teste do credor não é o mesmo que caber no orçamento familiar. Uma prestação de 264 € num rendimento de 1.200 € passa em muitos crivos, mas não deixa margem para uma despesa inesperada. Antes de assinar, vale mais a pena fazer um orçamento mensal real do que confiar na folga teórica.
Quando é que os 120 meses compensam
Compensam quando o objetivo é reduzir a pressão mensal e existe um plano para o dinheiro que se liberta:
- quando a prestação atual está a comprimir despesas essenciais;
- quando há uma redução de rendimento temporária e previsível (mudança de trabalho, parentalidade);
- quando a alternativa seria entrar em incumprimento;
- quando se usa a folga para reforçar o fundo de emergência e não para novo consumo.
Não compensam quando:
- a prestação mais baixa serve para voltar a gastar — o regresso ao sobre-endividamento é rápido;
- o prazo termina depois da idade de reforma e a prestação vai competir com o rendimento de pensão;
- há alternativas mais baratas por explorar.
Alternativas antes de esticar o prazo
- Renegociar o contrato atual. Baixar o spread ou alargar ligeiramente o prazo sem mudar de credor costuma ser mais barato do que uma operação nova. Ver consolidação vs renegociação.
- Consolidar com garantia hipotecária. Se tem imóvel, juntar as dívidas a um crédito garantido baixa a taxa para a ordem dos 3–4% — mas troca dívida sem garantia por dívida com garantia. As vantagens e os riscos estão explicados em consolidado com hipoteca: vale a pena?.
- Priorizar dívidas. Se o problema é a soma de várias prestações, atacar primeiro a mais caras (cartões) resolve mais do que alargar prazos. Ver priorizar dívidas.
- Comparar propostas com a TAEG à frente. Duas ofertas com a mesma prestação podem custar milhares de euros diferentes. Ver como comparar créditos pessoais.
Conclusão
Os 120 meses existem, são legais e podem ser a solução certa para um orçamento sob pressão — mas são um instrumento de fluxo de caixa, não de poupança. Cada mês acrescentado ao prazo troca prestação por juros. Antes de decidir, calcule o custo total da operação, compare a TAEG entre credores e pergunte-se se a folga mensal vai servir para reorganizar as finanças ou apenas para adiar a próxima dificuldade.
A Financial Options é intermediário de crédito registado no Banco de Portugal com o n.º 0007198: comparamos propostas de vários bancos e mostramos a TAEG e o MTIC de cada uma, sem custo para o cliente.
Perguntas frequentes
Qual é o prazo máximo do crédito consolidado?
Sem garantia, o prazo máximo mais comum é de 120 meses (10 anos), embora muitos credores só aceitem até 84 meses. Com garantia hipotecária, o prazo segue as regras do crédito habitação e pode ser bastante mais longo, sempre limitado pela idade no fim do contrato.
Vale a pena esticar o crédito consolidado para 120 meses?
Só se a redução da prestação mensal for mesmo necessária. Num consolidado de 20.000 € com TAEG de 10%, passar de 60 para 120 meses baixa a prestação de 424,94 € para 264,30 €, mas o total de juros sobe de 5.496 € para 11.716 €.
Quanto fica a prestação de 20.000 € a 120 meses?
Com uma TAEG de 10%, cerca de 264 € por mês, num total de 31.716 € pagos ao fim de dez anos — 11.716 € dos quais juros. Com a TAEG no limite legal de 15% no 4.º trimestre de 2026, a mesma operação sobe para cerca de 323 € por mês.
Posso aumentar o prazo depois de assinar o contrato?
Não é um direito adquirido. O prazo só muda por acordo com o credor, que implica normalmente uma nova avaliação de solvabilidade, ou através de um novo crédito que substitua o anterior.
Um consolidado a 120 meses com hipoteca é diferente?
Sim. Com garantia do imóvel deixa de ser crédito ao consumo e passa a ser crédito hipotecário: a taxa é mais baixa e o prazo pode ser mais longo, mas a casa passa a garantir a dívida.
Os valores apresentados são simulações com prestação constante e taxa mensal igual à TAEG dividida por doze, sem comissões nem seguros. Não substituem uma proposta de crédito.