Taxas máximas no crédito ao consumo: o que muda em outubro

Taxas máximas no crédito ao consumo: o que muda em outubro

O Banco de Portugal fixou as taxas máximas do crédito ao consumo para o 4.º trimestre: 18,5% nos cartões e 15% no crédito pessoal. Veja a tabela e o que muda.

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Ficha rápida
Cartões e descoberto
18,5% de TAEG
Crédito pessoal (outros)
15,0% (−0,30 p.p.)
Crédito automóvel (novos)
11,2% (+0,30 p.p.)
Educação e saúde
8,2% (−0,70 p.p.)
Em vigor
1 de outubro a 31 de dezembro de 2026

Quem tem cartões de crédito, crédito pessoal ou crédito automóvel tem um novo quadro de taxas máximas a partir de 1 de outubro. O Banco de Portugal (BdP) divulgou a 11 de setembro os tetos que as instituições podem aplicar no 4.º trimestre de 2026, e o movimento é a duas velocidades: o crédito pessoal desce e o crédito automóvel sobe.

Do lado dos cartões, o valor mais alto do sistema mantém-se: 18,5% de TAEG. Ou seja, nenhum contrato novo de cartão de crédito pode, por lei, custar mais do que isso.

A tabela das taxas máximas (outubro a dezembro de 2026)

Tipo de contratoTAEG máxima3.º trimestreVariação
Cartões de crédito, linhas de crédito, contas correntes e descoberto18,5%18,5%=
Outros créditos pessoais (lar, obras, crédito consolidado, outras finalidades)15,0%15,3%−0,30 p.p.
Automóveis e outros veículos — novos11,2%10,9%+0,30 p.p.
Automóveis e outros veículos — usados14,3%14,1%+0,20 p.p.
Locação financeira / ALD de automóveis — novos5,4%5,1%+0,30 p.p.
Locação financeira / ALD de automóveis — usados6,7%6,6%+0,10 p.p.
Educação, saúde, transição energética e locação financeira de equipamentos8,2%8,9%−0,70 p.p.

A TAN máxima das ultrapassagens de crédito (o saldo a descoberto autorizado) mantém-se também nos 18,5%.

Só se aplica a contratos novos ou renovados. As taxas máximas valem para os contratos de crédito celebrados ou renovados entre 1 de outubro e 31 de dezembro de 2026. Se tem um contrato anterior com uma TAEG acima destes valores, ela não desce automaticamente — tem de renegociar ou consolidar o crédito para passar a pagar menos.

O que é a taxa de usura

A “taxa de usura” é o nome pelo qual ficou conhecido o teto legal do custo do crédito ao consumo. Não é um valor único fixado de uma vez: é recalculado todos os trimestres pelo Banco de Portugal, a partir do que as próprias instituições praticaram no trimestre anterior.

A regra é esta: a taxa máxima de cada tipo de contrato corresponde à TAEG média praticada no trimestre anterior, acrescida de um quarto (25%). Há ainda uma segunda trava de segurança — nenhuma taxa máxima pode ultrapassar em 50% a TAEG média da totalidade dos contratos de crédito aos consumidores celebrados no trimestre anterior.

É por isso que as taxas máximas sobem quando o crédito fica mais caro e descem quando as instituições praticam condições mais baixas. E explica o aparente paradoxo deste trimestre: o crédito pessoal ficou mais barato em média (teto de 15,0%, contra 15,3%), enquanto o automóvel subiu nas quatro modalidades.

O que isto significa na prática

Para quem está a pensar contratar crédito. O teto de 15,0% para os “outros créditos pessoais” cobre precisamente as finalidades mais procuradas — obras em casa, crédito consolidado e outras necessidades. O facto de o limite ter descido não garante uma proposta melhor: o que interessa é o custo efetivo que cada banco apresenta, e é isso que deve comparar entre TAEG, TAN e MTIC.

Para quem já tem crédito caro. Este é o ponto mais importante do trimestre. As taxas fixadas pelo BdP funcionam como um limite para o crédito novo — não como um direito automático a uma descida do que já está contratado. Se paga uma TAEG de 17% num cartão de crédito ou num crédito pessoal antigo, esse valor não muda por causa da tabela. A ação útil é discutir a consolidação de créditos ou comparar alternativas com o banco atual — e, nesse caso, a distinção entre consolidar e renegociar faz toda a diferença no custo final.

Para quem quer financiar obras. Com o limite dos créditos pessoais “para outras finalidades” nos 15,0%, vale a pena comparar com o crédito para obras em casa — e lembrar que existe também a possibilidade de usar crédito com garantia hipotecária, estruturalmente mais barato, embora com mais exigências.

Perguntas frequentes

A taxa de usura é a mesma para todos os créditos? Não. Há um teto por tipo de contrato — sete categorias distintas, do crédito pessoal para educação e saúde aos cartões de crédito. A mais alta (18,5%) é a dos cartões e do descoberto.

Estas taxas incluem comissões e seguros? A TAEG — taxa anual de encargos efetiva global — já incorpora os encargos que o cliente suporta além dos juros. É por isso que é a medida correta para comparar propostas, e não a TAN.

Quem garante o cumprimento das taxas máximas? A supervisão é do Banco de Portugal. As instituições não podem celebrar contratos de crédito aos consumidores com uma TAEG acima do teto fixado para o trimestre.

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Fontes: Banco de Portugal — Taxas máximas aplicáveis no 4.º trimestre de 2026 (comunicado de 11 de setembro de 2026), Jornal Económico — Crédito ao consumo: taxas máximas chegam a 18,5% nos cartões no final de 2026, Notícias ao Minuto — Crédito pessoal desce e automóvel sobe

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Tags: Crédito Pessoal Taxa de Usura Banco de Portugal Cartões de Crédito Crédito Consolidado
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