- Novas operações (ago)
- 2.553 M€
- Queda vs julho
- −349 M€
- Taxa média
- 3,00% (máx. desde abr/25)
- Prestação média do stock
- 446 €
As novas operações de crédito à habitação caíram 349 milhões de euros em agosto, para 2.553 milhões de euros — depois de julho ter sido o mês mais forte da série. É o primeiro mês completo com o limite de taxa de esforço de 45% do Banco de Portugal (BdP) em vigor, e os números do próprio banco central mostram que o travão está a surtir efeito.
Resposta curta: o novo crédito à habitação recuou, mas a taxa de juro média subiu para 3,00% (o valor mais alto desde abril de 2025) e a prestação média do stock atingiu um novo máximo de 446 €. Ou seja: pede-se menos crédito novo, mas o crédito já contratado continua a pesar mais no orçamento das famílias.
Os números de agosto
| Indicador (agosto de 2026) | Valor | Variação vs julho |
|---|---|---|
| Novas operações de crédito à habitação | 2.553 M€ | −349 M€ |
| — das quais novos contratos | 2.129 M€ | −229 M€ |
| Novas operações a particulares (total) | 3.471 M€ | −439 M€ |
| Taxa de juro média — habitação | 3,00% | +0,03 p.p. |
| Prestação média do stock | 446 € | +5 € |
As renegociações também abrandaram: caíram 124 milhões de euros, para 451 milhões, sobretudo nas renegociações de empréstimos para habitação (−120 milhões). Os dados foram divulgados pelo BdP a 1 de outubro.
Porque é que o crédito novo caiu
A explicação está em duas forças que se cruzaram:
- O efeito de antecipação em julho. Os dados de julho — o valor mais elevado da série — já tinham mostrado famílias a acelerar a contratação antes de as novas regras entrarem em vigor a 1 de agosto, como analisámos na altura. Agosto é o primeiro mês “limpo”, sem esse efeito.
- O travão macroprudencial. O BdP passou a recomendar um limite de taxa de esforço de 45% no crédito à habitação, em vigor desde 1 de agosto. Na prática, quem gastaria mais de 45% do rendimento líquido na prestação fica de fora — ou vê o valor emprestado reduzido.
Não é, portanto, um arrefecimento da procura por falta de vontade de comprar: é uma restrição de acesso. Quem não cabe no critério dos 45% simplesmente não consegue o mesmo crédito.
A taxa sobe para 3,00% — e a prestação não desce
Enquanto o volume cai, o preço do dinheiro continua a subir. A taxa média das novas operações de crédito à habitação subiu para 3,00% em agosto — acima dos 2,97% de julho e dos 2,88% de agosto de 2025 —, o valor mais alto desde abril de 2025. Em Portugal, contudo, continua a ser a quarta taxa mais baixa da área do euro (a média europeia é de 3,60%), atrás apenas de Malta, Bulgária e Croácia.
O detalhe mais pesado para quem já tem crédito é a prestação: a prestação média do stock subiu pelo 12.º mês consecutivo, para 446 € — um novo máximo da série, mais 5 € do que em julho e mais 28 € do que no final de 2025. Já explicámos em detalhe porque é que a prestação da casa voltou a subir em outubro.
87% dos novos créditos são a taxa mista
Uma tendência que se mantém: 87% dos novos empréstimos à habitação foram contratados a taxa mista — com um período inicial de taxa fixa seguido de taxa variável. A taxa média é de 2,86% na mista e de 3,23% na variável. É um sinal claro de que os clientes preferem proteger-se de subidas no arranque do contrato; pesámos as vantagens de cada opção no artigo sobre a taxa mista no crédito habitação e no guia de taxa fixa, variável e mista.
O que isto significa se vai pedir crédito agora
- Prepare a taxa de esforço antes de pedir. Com o limite nos 45%, a margem decide tudo: amortizar dívidas existentes, juntar documentação de rendimentos e aumentar a entrada são as alavancas mais eficazes. Veja como melhorar a aprovação do crédito.
- Simule com a sua taxa de esforço real. Use a calculadora da taxa de esforço e confirme quanto pode realmente pedir antes de visitar casas.
- Compare propostas — a diferença está no detalhe. Num mercado com menos margem, o spread, as comissões e os seguros pesam mais do que nunca. Simule e compare no simulador de crédito habitação.
Conclusão
A queda de 349 milhões de euros nas novas operações de crédito à habitação mostra que o travão do BdP está a funcionar: menos crédito concedido, mais exigência na aprovação. Mas o retrato do mercado é de dois andares — o volume novo arrefece, enquanto a taxa de juro sobe e a prestação média das famílias bate recordes. Para quem vai comprar, o caminho passa por preparar as condições antes de procurar casa; para quem já tem crédito, o momento continua a pedir atenção às taxas.
Perguntas frequentes
O crédito habitação está mais difícil de obter?
Está mais exigente. Desde 1 de agosto de 2026, o Banco de Portugal recomenda que a taxa de esforço não ultrapasse 45% do rendimento líquido, o que exclui mais famílias do crédito e explica parte da queda de 349 milhões de euros nas novas operações em agosto.
Porque é que o novo crédito à habitação caiu em agosto?
As novas operações recuaram 349 milhões de euros face a julho, mês que tinha sido o mais forte da série e que refletiu a antecipação da procura antes das novas regras. A queda reflete já o efeito das restrições macroprudenciais do BdP em vigor desde 1 de agosto.
As taxas de juro do crédito habitação subiram?
Sim. A taxa média das novas operações de crédito à habitação subiu para 3,00% em agosto, o valor mais alto desde abril de 2025, acima dos 2,97% de julho e dos 2,88% de agosto de 2025.
A prestação média baixou com a descida do crédito novo?
Não. A prestação média mensal do conjunto dos empréstimos à habitação (o stock) subiu pelo 12.º mês consecutivo, alcançando 446 euros em agosto — o valor mais alto da série e mais 28 euros do que no final de 2025.
As regras do BdP de taxa de esforço afetam-me?
Se vai pedir crédito agora, sim: o limite de 45% de taxa de esforço restringe o valor que pode ser emprestado. Melhorar a taxa de esforço — reduzindo dívidas existentes, aumentando rendimentos comprovados ou dando uma entrada maior — é a forma mais direta de reforçar a aprovação.
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Fontes: Banco de Portugal (dados de agosto de 2026, divulgados a 01/10/2026), Notícias ao Minuto, Dinheiro Vivo, Portal Impala.